Banco Alimentar Contra a Fome recolheu 1.605 toneladas de alimentos

Em Sociedade

Na campanha de recolha deste fim de semana, os Bancos Alimentares Contra a Fome angariaram 1.605 toneladas de alimentos.

Os resultados desta recolha, subordinada ao mote “É preciso mais para que falte ainda menos”, representam um valor próximo do obtido na campanha homóloga do ano passado. Para a organização, estes números confirmaram assim quer “a solidariedade dos portugueses, quer a confiança renovada nos Bancos Alimentares contra a Fome, num fim-de-semana marcado pela coincidência com diversas actividades, como a final da taça de futebol e as Eleições Europeias, e no qual o bom tempo convidava a uma ida à praia”.

Os Bancos Alimentares Contra a Fome recolheram, no passado fim de semana, um total de 1.605 toneladas de géneros alimentares, na campanha realizada em mais de 2.000 superfícies comerciais de todo o País, a que acrescerão ainda as doações online e através de vales disponíveis nas lojas, ainda não contabilizadas nessa quantidade.

A campanha caracterizou-se pela introdução de sacos de reutilizáveis, o que permitiu uma significativa redução dos sacos utilizados, seja de plástico, seja de papel, e assim dos impactes ambientais.

“Sabemos que, apesar da melhoria das condições económicas, muitos dos nossos concidadãos continuam a enfrentar grandes dificuldades e significativas restrições alimentares e é por isso gratificante constatar que os portugueses têm uma perceção dessa realidade, procurando sempre, na medida das suas possibilidades, contribuir para a minorar”, afirmou Isabel Jonet, Presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome, que sublinhou ainda “a decisão da administração da Sonae que, no âmbito da Missão Continente, anunciou o reforço das doações dos seus clientes com o equivalente a 5% de todos os produtos doados nas suas lojas, o que permitirá incluir nos cabazes distribuídos uma maior número de bens básicos, em total alinhamento com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Até 2 de junho: campanha “Ajuda Vale” e site de doações online

Todas as pessoas que não tiveram oportunidade de doar alimentos no fim de semana, podem ainda, ao longo da próxima semana, até 2 de junho, contribuir online, no site www.alimentestaideia.pt , a plataforma de recolha de alimentos na internet.

Prossegue também até à mesma data a Campanha “Ajuda Vale”, nas lojas Pingo Doce/Feira Nova, Dia/Minipreço, El Corte Ingles, Jumbo/Pão de Açúcar, Lidl e Modelo/Continente, com cupões-vale de produtos selecionados (azeite, óleo, leite, salsichas, atum e esparguete). O Banco Alimentar de S. Miguel só realizará campanha de recolha no próximo fim de semana (1 e 2 de Junho) devido à tradicional festa do Senhor Santo Cristo.

Voluntariado em ação

Muitos voluntários disponibilizaram parte do seu tempo durante o fim de semana para participar na campanha de recolha. Tarefas como a recolha nos estabelecimentos comerciais, o transporte, pesagem e separação dos produtos, foram integralmente asseguradas por voluntários, confirmando, assim, a adesão entusiástica ao projeto dos Bancos Alimentares Contra a Fome. Os géneros alimentares recolhidos serão distribuídos a partir da próxima semana a mais de 2.400 Instituições de Solidariedade Social, que os entregam a cerca de 400 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas.

Alguns dados relativos à atividade

Existem atualmente 21 Bancos Alimentares Contra a Fome (Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Viana do Castelo, Viseu, Terceira, Madeira, cuja atividade se prolonga ao longo de todo o ano. Para além das campanhas de recolha em supermercados, organizadas duas vezes por ano, os Bancos Alimentares recebem, diariamente, excedentes alimentares doados pela indústria agro-alimentar, pelos agricultores, pelas cadeias de distribuição e pelos operadores dos mercados abastecedores. São assim recuperados produtos alimentares que, de outro modo, teriam como destino provável a destruição. Estes excedentes são recolhidos localmente e a nível nacional no estrito respeito pelas normas de higiene e de segurança alimentar. Deste modo, para além de combaterem de forma eficaz as carências alimentares, os Bancos Alimentares Contra a Fome lutam contra uma lógica de desperdício e de consumismo, apanágio das sociedades atuais.

Em 2018 os vinte e um Bancos Alimentares Contra a Fome operacionais distribuíram um total de 24.262 toneladas (com um valor global estimado superior a 34,9 milhões de euros), ou seja, um movimento médio de 97 toneladas por dia útil.

Recolha nacional, ajuda local

Os Bancos Alimentares Contra a Fome distribuem, ao longo de todo o ano, os géneros alimentares recorrendo a Instituições de Solidariedade Social por si selecionadas e acompanhadas em permanência por voluntários dos Bancos. Estas realizam visitas domiciliárias e asseguram um acompanhamento muito próximo e individualizado de cada pessoa ou família necessitada, de forma a ser possível efetuar, em simultâneo, um verdadeiro trabalho de inclusão social.

A atividade dos Bancos Alimentares norteia-se pelo princípio genérico da “recolha local, ajuda local”, aproximando os dadores dos beneficiários e permitindo uma proximidade entre quem dá e quem recebe. Possibilita o encontro entre voluntários e instituições beneficiárias, por um lado, e entre fornecedores da indústria agro-alimentar, empresas de serviços, poderes públicos e o público em geral, em especial durante os fins de semana das campanhas de recolha, em que todos trabalham lado a lado por uma causa comum: a luta contra as carências alimentares e a fome.

Em 1991, foi aberto em Portugal o primeiro Banco Alimentar Contra a Fome e estão atualmente em atividade no território nacional 21 Bancos Alimentares, congregados na Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, com o objetivo comum de ajudar as pessoas carenciadas, pela doação e partilha.

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