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Combate a incêndios – Sistema criado em Mação alargado a todo o distrito

Em Região

O sistema MacFire – Mac de Mação e Fire de fogo em inglês – é uma ferramenta informática criada em Mação para monitorizar o desenvolvimento dos incêndios em tempo real, passou esta sexta-feira a fazer parte dos dados do SIRESP num sistema de georreferenciação “pioneiro” que envolve todas as corporações de bombeiros do distrito de Santarém.

Teve lugar esta sexta-feira nos Paços do Concelho de Mação, a assinatura do protocolo entre a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, a Câmara Municipal de Mação e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.

Nesta fase, e através deste protocolo, pretende-se que os dados da ANEPC, de todos os rádios SIRESP – Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, possam ser incorporados no sistema MACFIRE – Gestão de Ocorrências – operacionalizando ainda mais o sistema de suporte à decisão no distrito de Santarém.

Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação testemunhou “o trabalho de quase 15 anos do vereador António Louro, que hoje é reconhecido pelo Governo”.
A partir de agora “vamos passar a ter a visualização da georreferenciação diretamente em cima do sistema MacFire. É o mesmo que ter o nosso GPS no carro e vermos a localização do nosso veículo”, ilustrou Mário Silvestre, Comandante Operacional Distrital de Santarém, acrescentando que “o que vai acontecer é que no CDOS, todos os corpos de bombeiros e comandantes das operações vão passar a ver todos os veículos que estão no teatro de operações e a sua localização”. 

“A Proteção Civil tem necessidade de introduzir mais ciência, mais conhecimento e mais sistemas de apoio à decisão para respostas aos riscos recorrentes, aos novos desafios, e para maior eficácia no combate aos incêndios. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) põe as suas ferramentas ao serviço deste sistema em prol da segurança e que é um exemplo de pioneirismo e didatismo em termos nacionais”, destacou o presidente da ANEPC, Mourato Nunes, em Mação, na cerimónia de assinatura do protocolo entre o município, as Comunidades Intermunicipais do Médio Tejo e da Lezíria, e a própria ANEPC.

O secretário de Estado da Proteção Civil, por sua vez, disse que “esta interconexão entre o MacFire e o SIRESP, sistema que permite geolocalizar todos os operacionais que estão no terreno de norte a sul do país, é uma ferramenta operacional de apoio à decisão”

“Vem ao encontro, do primeiro relatório da Comissão Técnica Independente, na sequência dos incêndios de 2017, que era o de introduzir mais conhecimento no sistema, robustecer o sistema do ponto de vista profissional e ter operacionais mais habilitados para responder a situações de emergência”, acrescentou José Artur Neves.

Questionado pela Lusa sobre se este projeto piloto – Gestão de Ocorrências, organizado pelo distrito de Santarém, em articulação com o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) – pode ser alargado a todo o país, José Artur Neves disse que este sistema, com este protocolo, “já está” no país.

“A ANEPC, tendo esta ferramenta, vai com certeza potenciá-la para outras Comunidades Intermunicipais que, aliás, têm manifestado vontade e estão também a desenvolver ferramentas. Esta já existe no terreno, já está testada e faz todo o sentido estendê-la para outros locais, é uma prioridade da ANEPC”, afirmou o governante.

O MacFire é um sistema desenvolvido por técnicos informáticos de Mação em 2004 e por especialistas de uma empresa do ramo das novas tecnologias. Foi implementado em 2018 no distrito de Santarém e permite levar a informação existente sobre a zona de combate a incêndios rurais para o posto de comando móvel existente em cada sinistro.

Na base do sistema está a cartografia militar, mas também as cartas de risco de incêndio e os ortofotomapas (mapas elaborados a partir de fotografias aéreas), numa estrutura que, agregada aos dados disponibilizados pelo SIRESP — Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, permite também aceder e integrar no programa os dados da localização no terreno de cada uma das cerca de 300 viaturas existentes no distrito. Até agora, isto acontecia via GPS, com custos que ascenderam aos nove mil euros em três meses da fase piloto desenvolvida em 2018. Com esta ferramenta disponível, deixam de ter essa despesa.

A novidade introduzida por António Louro, vice-presidente e responsável pela Proteção Civil em Mação, foi integrar esta informação e sobrepor os mapas, permitindo visualizá-los todos ao mesmo tempo.

 O trabalho desenvolvido, primeiro através do GPS e doravante com a utilização dos dados SIRESP, possibilita aceder à localização exata das viaturas no terreno, bem como a posição das frentes de fogo e a dimensão rigorosa da área atingida, prevendo a sua provável evolução.

 O MacFire, no entanto, “não apaga fogos”, disse à Lusa António Louro, o mentor do sistema, engenheiro florestal de profissão. “É uma ferramenta que ajuda numa situação complexa como em grandes incêndios florestais, é uma ferramenta de apoio à decisão, para que quem tiver de decidir o consiga fazer de uma forma mais acertada e num tempo mais curto. Penso que é um passo importante para todo o distrito e um reconhecimento nacional da importância deste instrumento”, afirmou.

O secretário de Estado, Artur Neves, anunciou ainda a operacionalização de um núcleo de apoio à decisão em parceria com a Direção-Geral de Veterinária (DGAV), que vai permitir o resgate de todos os animais em risco num incêndio de grandes dimensões.

“Temos agora oficiais de ligação da DGAV que vão estar dotados de toda uma logística para retirar também todos os animais e está tudo preparado para não haver problemas com a alimentação dos animais, com o aparcamento dos animais e com a sua retirada”, disse o secretário de Estado.

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