“No roubar é que está o ganho”!

Em Opinião

O roubo, como o salário, pode ser direto ou indireto, individual ou coletivo. Tentando criar algumas analogias:

– O salário direto é aquele que recebes ao fim do mês; o coletivo será a massa salarial que a empresa paga por uma parte da mais-valia gerada pelo conjunto dos trabalhadores. O teu salário indireto é o que recebes em benefícios de educação, saúde (…) pago com parte do que descontas em impostos para o Estado.

– O roubo direto e individual é por exemplo quando te roubam a carteira, o carro… Um roubo coletivo é, por exemplo, se roubam parte de propriedade ou bens comuns a uma associação de que és sócio ou ao Estado. Pode-te afetar mais ou menos diretamente; quando roubam o próprio Estado e este deixa de te poder apoiar em saúde ou educação porque foi depauperado no seu pecúlio!

O roubo indireto é hoje uma arte mafiosa e ao mesmo tempo legal, organizada ao mais ínfimo pormenor – incluindo legislativo. Quando alguém ou empresa da “classe dos donos disto tudo” pede à CGD um empréstimo milhionário que não o vai pagar isso gera uma imparidade.

É… Nestes casos, perda por imparidade pode ser um sinónimo de roubo. Acontece que depois o governo vai ter de reforçar o capital da CGD e depois o governo corta-te ou não te aumenta o salário indireto porque vais ser tu a pagar essa perda por imparidade. O governo afirma então que não se pode repor tudo ao mesmo tempo.

No roubo coletivo há uma espécie em crescimento, a quadrilha financeira. Não… Não são aquelas que chegam a um estabelecimento de pistola na mão e gritam: “mãos ao ar que é um assalto!” Não… As novas quadrilhas têm nomes como Business Corporation. É um nome bonito não é? Business Corporation! E em inglês tem mais pedigree!

Muitas Business Corporation são quadrilhas muito bem organizadas. É… Elas incorporam muitos especialistas, desde economistas a certos juristas especializados em “convencer” governos e políticos do regime a fazer certas leis, más-línguas…

Estas leis, cheias de boas intenções é claro, fazem com que “quadrilhas de gatunos”, ops, enganei-me, muitas Business Corporation consigam deixar de pagar impostos ao Estado – aquilo que se tu não pagares te vão penhorar a casa, o carro ou a bicicleta.

E é legal? É… Pois é! E para facilitar ainda mais criaram-se os offshores! É… Digamos que são “lojas” fora do teu território nacional. Agora repara:

Nos últimos três anos tiveram “aplicação criativa”, ou “fugiram”, ou “voaram” de Portugal 30 mil milhões de euros para offshores. “Voaram” 30.000.000.000 de euritos???!!! Pois!!!

Ops… Mas isso é mais de três vezes o orçamento da Saúde e 15% do PIB de Portugal. Pois!!!

– “Malandros” do rendimento mínimo?

– Não, e tu sempre a dar-lhe com o rendimento mínimo, são senhores das Business Corporation; pessoas bem vestidas, de fatinho e gravata, de sucesso, com fotos nas revistas cor-de-rosa…

– Vou dar-te um exemplo: os 100 mil mais ricos do mundo detêm sozinhos 8 milhões de milhões de euros em offshores. Quem são os especialistas que tratam disso? Os grandes bancos privados, como a UBS, Credit Suisse, Goldman Sachs…

Relata a imprensa económica que, em Portugal “só no ano passado, mais de 7.200 clientes empresariais e cerca de seis mil particulares fizeram passar por paraísos fiscais 8,9 mil milhões de euros” (1). Mas são bons rapazes, até dão arroz no peditório do Banco Alimentar! 

Já agora…

“Em 2018, a Autoridade Tributária fez 231 procedimentos inspetivos que resultaram em correções e regularizações voluntárias de 10,7 milhões de euros de matéria colectável e 4,2 milhões em imposto”. (1)

Se em 231 procedimentos o fisco recuperou 4,2 milhões €, olha se fizessem esses procedimentos sobre as 13.043 transferências que se fizeram em 2018 para offshores?

Se o teu Estado é muito roubado perdes direitos porque viveste acima das tuas possibilidades; se há uns esquerdistas que conseguem que o Estado não seja tão roubado então não se pode repor tudo ao mesmo tempo! Capisci?

Assim será, enquanto não houver democracia na economia!

Vítor Franco

(1) https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/voaram-30-mil-milhoes-para-offshores-em-apenas-tres-anos-4-472217

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