Bloco apresentou candidatos às legislativas em Santarém (VÍDEO)

Em Região

Após um dia dedicado a visitar as áreas devastadas pelos incêndios em Mação, o Bloco de Esquerda apresentou a lista de candidatos pelo distrito às próximas eleições legislativas. Fabíola Cardoso fez a apresentação da lista que encabeça, “diversa e plural”, e Catarina Martins afirmou que “o Bloco demonstrou que não era impossível tudo o que disseram que era”.

A apresentação teve lugar na Sala de Leitura Bernardo Santareno em Santarém e começou com atraso, devido à dificuldade de acesso do mandatário da candidatura Eduardo Jorge, que ficou retido na sua cadeira de rodas no elevador para acesso de deficientes motores à sala. Perante uma sala cheia, com toda a gente nos seus lugares à espera, Fabíola afirmou: “Esperamos por todos, não deixamos ninguém para trás”, para sublinhar assim, o apoio do Bloco à causa dos deficientes.

Eduardo Jorge, mandatário distrital, afirmou estar ao lado da “principal força política ao lado das pessoas com deficiência”.

“Uma lista diversa e plural”

Fabíola Cardoso, cabeça de lista do Bloco pelo círculo de Santarém às eleições legislativas de outubro, recordou as consequências do acordo feito no início da legislatura que permitiu um governo de esquerda, afirmando que “a austeridade não é perpétua, há sempre alternativa”. A candidata considera que a lista é “diversa e plural” e que “tem um conjunto de pessoas seriamente comprometidas com esta forma de ser e de fazer política”.

“É esta cidadania que o Bloco convoca para além da política partidária”, afirmou, manifestando ainda o seu desejo de que, na próxima legislatura, “o Bloco vá ter uma intervenção ativa no distrito”.

Demografia e ambiente, as causas do Bloco no distrito

A candidata salientou o empenho do partido na solução dos principais problemas do distrito. Defendeu a regionalização, e destaca como prioridade as causas ambientais, “a preservação das reservas de água, o combate à poluição hídrica, do solo e do ar, a garantia de caudais ecológicos do rio Tejo e dos seus efluentes, a preservação dos nossos rios sem que o lucro de alguns permita delapidar uma riqueza que é de todos”. Propõe mudanças no modelo de produção agrícola, silvicola e pecuaria no distrito, adotando formas de produção que garantam a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade dos recursos.

Serviços públicos de qualidade, gratuitos e acessíveis

Aponta a demografia como um dos principais problemas do distrito. “A resposta ao problema da demografia passa pela melhoria da qualidade de vida, exigindo parcerias interconcelhias e interdistritais, a fixação de empresas que sejam ambiental, social e economicamente responsáveis”. A saúde é outra das prioridades do Bloco para o distrito. A solução passa pela capacitação da rede hospitalar, dos centros de saúde e a resolução do problema da falta de médicos de família. Defende serviços públicos de qualidade, gratuitos e acessíveis em todo o distrito, assim como uma rede de transportes públicos, com passe social e prioridade à ferrovia, como formas de ajudar a combater o problema da demografia do distrito.

“Conservadorismo do distrito combate-se com direitos”

Num outro eixo, Fabíola aponta o problema do conservadorismo do distrito, para o qual a resposta é clara: direitos para todos e respeito pela diversidade. Fabíola defende a causa do bem estar animal e nessa linha, propõe o fim de todos os apoios, diretos e indiretos, às touradas.

A candidata do Bloco refere ainda a aposta numa rede de distribuição cultural no distrito e o apoio aos que se dedicam à criação artística na região.

Outra prioridade do Bloco é o combate à pobreza como um dos principais fatores de exclusão social, assim como a todas as formas de discriminação. “O Bloco não é um partido de gays e lésbicas, mas também é um partido de gays e lésbicas”, declarou.

Assim como “não foi inocente a escolha do mandatário distrital da candidatura”, afirmou Fabíola, sublinhando a luta e o ativismo de Eduardo Jorge, pela causa dos deficientes e da vida independente.

Catarina Martins: “O Bloco está aqui para transformações grandes, muito maiores do que cada eleição”

Catarina Martins, coordenadora do Bloco, começou por afirmar que “as eleições não são tudo”, acrescentando que “o Bloco está aqui para transformações grandes, muito maiores do que cada eleição e que exigem a cada momento conquistar maiorias sociais no país”. “Um partido que se leva a sério quer que os seus projetos sejam realidades”, afirmou, acrescentando que o Bloco “defende o que acha mesmo que é importante para o país”. Para esses projetos “serem realidade”, afirmou, “precisamos de força em eleições”. “Estamos em nome da conquista de maiorias sociais, todas as que são necessárias fazer para as enormes transformações de que o país precisa”, disse a coordenadora do Bloco.

Ao longo da legislatura, Catarina Martins considera que “demonstramos que não era impossível tudo o que nos disseram que era”. “Há sempre alternativa, vale sempre a pena trabalhar”, rematou.

A título de exemplos de vitórias expressivas, a coordenadora do Bloco salientou os aumentos do salário mínimo. “Era impossível subir o salário mínimo nacional, seria o desastre da economia portuguesa. Não foi”, afirmou, acrescentando que, de cada vez que foram recuperados salários e pensões, “a economia ficou melhor”. “Uma economia move-se quando tem respeito pelas pessoas”, considera a coordenadora do Bloco.

Para mais, foi feito “o caminho dos direitos contra o conservadorismo” quando se acabou “com as leis que humilhavam as mulheres que deviam interromper a gravidez” e “quando colocámos na agenda a cidadania independente, porque não admitimos cidadãos de primeira e de segunda”. Catarina Martins lembrou ainda as lutas “pelos serviços públicos contra as privatizações” e sublinhou a lei de bases da habitação (“o direito à habitação está sob ataque e tem de ser uma prioridade”) e a lei de bases da saúde (“a saúde não pode ser um negócio, tem de ser um direito”).

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