Ludmilla e Moita “Festas”

Em Opinião

A cantora brasileira Ludmilla ganha 27 mil euros por espetáculo, conforme está registado no portal base de contratos públicos online.

A cantora conhecida por cantar “cheguei, cheguei, bagunçando a zorra toda”, “bagunçou” mesmo a conta da autarquia scalabitana.

Já os Moonspell, coitados, só ganham 11 mil euros. Por mim merecem mais do que Ludmilla e fazem a malta bagunçar a cabeça toda…

Mas uma coisa é o artista, outra coisa são os serviços inerentes a um espetáculo, luz, som, efeitos especiais… O portal base de contratos públicos online diz que aquisição de serviços para um espetáculo destes custa cerca de 10 mil e oitocentos euros. Vão somando…

Santarém parece revisitar a época de Moita Flores, de cognome o Festas. Não há problema, que há-de haver quem pague, foi assim e assim será.

Há um provérbio que diz “com festas e bolos se enganam os tolos”, muito bem concretizado por Moita Festas. Também se considera que o provérbio correto “é com papas e bolos que se enganam os tolos”, pois tem origem no império romano. Ora o imperador Moita, jogava pelo seguro (…) também oferecia porco no espeto.

Moita Festas praticava o evergetismo ob honorem, ou seja a política de boas ações. Esta, em versão romana, será “com pão e circo se engana a plebe”; enfim, antes em Roma como hoje em Santarém… Só o novo edil trocou o circo pela tourada!

A política festista deu resultado. Com ela, Moita lançou uma OPA sobre a CDU, da qual esta nunca mais se levantou. O PS deixou de contar – tantas as vezes que se absteve em votações decisivas. A conta das festas veio depois e com juros fortes no imposto municipal sobre imóveis. Mas, pronto, o povo pagou e voltou a dar a maioria absoluta ao novo aristocrata romano.

Não se infira destas minhas palavras que me oponho à vinda de artistas famosos a Santarém. Não, não me oponho. Já a touradas oponho-me… Em primeiro lugar não gosto que se paguem entradas com o parco pecúlio dos meus impostos!

Conceptualmente, não gosto do predomínio absolutista “cultura de consumo”, desfazendo a necessidade da população ser participante na construção da cultura local. Eu prefiro subsidiar 500 pessoas a fazer regularmente cultura do que uma Ludmilla bagunçando a zorra toda – embora isso possa não dar votos.

São conhecidas as dificuldades das associações culturais do concelho. Estas sobrevivem graças a um generoso e gratuito ativismo social de centenas de pessoas. Essas pessoas mantêm aldeias e comunidades locais mais ativas, mais interligadas, mais solidárias…

Comunidade vivas são necessárias, todos os dias do ano, mesmo que não baguncem a zorra toda.

Eis uma boa conversa para termos todas e todos, um dia destes.

Vítor Franco

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