Dores nas costas das crianças e jovens: truques para prevenir

Em Educação/Saúde

O peso das mochilas e a posição à secretária, tanto em casa como na sala de aula, são as principais causas de problemas de costas nas crianças e adolescentes.

“As posturas inadequadas à secretária, bem como o excesso de carga na coluna, causam desequilíbrios musculares, mais graves na infância, uma vez que os músculos das crianças não estão preparados para suportar pesos excessivos”, explica Bruno Santiago, neurocirurgião e coordenador da campanha nacional “Olhe pelas suas costas”. 

1. Evitar sobrecarregar a mochila escolar

É o principal “inimigo” das crianças na escola: o peso das mochilas escolares não deve exceder 10% do peso corporal da criança. A mochila deve estar bem adaptada nos ombros e à região lombar e o seu tamanho tem de corresponder à idade da criança.

2. Adotar uma postura adequada na sala de aula e enquanto estuda

É na escola que crianças e jovens passam a maior parte do dia. Quando sentados, a postura deve ser: pés a tocar no chão, joelhos em ângulo de 90º e costas bem apoiadas contra o encosto da cadeira. Quando ao computador, é importante que os ecrãs estejam ao nível dos olhos. À medida que a criança cresce é necessário adequar a altura da cadeira. Os pais devem estar alerta também à postura que adotam a jogar videojogos.

3. Praticar exercício físico de forma regular

Combater o sedentarismo é essencial para a saúde da coluna, principalmente na infância. As recomendações internacionais apontam para a prática de 60 minutos diários de atividade física moderada e para a prática de atividade física intensa três vezes por semana, no caso das crianças e jovens entre os cinco e os 17 anos.

4. Controlar o peso

Existe uma ligação entre obesidade e lombalgia, daí que seja necessário controlar o peso. A obesidade e o excesso de peso limitam a qualidade de vida e são fatores de risco para problemas de coluna e outros problemas de saúde, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares ou problemas de natureza emocional.

Estudos recentes indicam que a prevalência de lombalgias ou dores lombares, embora mais baixa nas crianças (1-6%), dispara consideravelmente nos adolescentes (18-51%), aproximando-se da prevalência nos adultos. Nos últimos anos, a prevalência de lombalgia na população infantil tem apresentado um aumento significativo, crescendo de 2-11% para 27-51%, dependendo da idade e da população avaliada. Há também estudos que indicam que a prevalência ao longo da vida em indivíduos até aos 20 anos se situa aproximadamente em 70 a 80%.

As doenças especificas da coluna da criança e do adolescente, como a escoliose idiopática e espondilólise podem afetar até 5 pessoas em cada 100, sendo por isso necessário estar alerta e consultar um especialista se as dores nas costas  se prolongarem no tempo ou forem incapacitantes.

A campanha “Olhe pelas suas costas” – iniciativa avalizada pela Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, Associação Para o Estudo da Dor, Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar – é agora retomada com o regresso às aulas.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*