Debates

Em Opinião

Eles, os debates, fazem parte da programação política que antecede as eleições, sejam elas quais forem, até para escolhermos o sacristão da paróquia, a prática vem desde a Antiguidade Clássica, não por acaso os actores principais recorrem a exemplos retirados dos clássicos envernizados de actualidade, cerrando a comissura dos lábios na esperança de ninguém notar os atentados produzidos porque o interesse preguiçoso e sem burburinho despachar a conversa eleiçoeira.

Longe vão os tempos dos ataques virulentos – olhe que não, olhe que não! – carregados de ironia, agora a ironia deu lugar ao sarcasmo, à piada rasteira ou não estivesse a sociedade tomada de cima a baixo, quase por completo pela intoxicação futebolística para a qual a Fouché (VPV) portuguesa, entenda-se Ana Gomes tem dado o seu contributo, ainda havemos de perceber o seu real motivo para proteger o praticante de extorsões e incursões na privacidade de várias pessoas.

No debate António Costa/Jerónimo de Sousa prevaleceu a cerimónia adolescente de não se atirarem ao bolo e ao pudim do aniversário, sorrateiros, pezinhos de lã, gastaram o tempo todo a fazerem negaças à discordância, no fundo, no fundo, António Costa reverentemente respeita o PC, Jerónimo nunca é à maneira de tirano, importa manter bom ambiente, o inimigo comum são os sindicatos independentes, os bloquistas da esquerda caviar, sem esquecer a Senhora Cristas. E, Rio? Rio é fiável preso no labirinto do aparelho partidário conduzido de longe por Relvas e Passos Coelho.

O debate Catarina/Cristas traduziu-se numa conversa num salão de cabeleireiro, à espera de concederam brilho em corte de asa (Catarina) e aos bandos (Cristas) foram desfiando ciúmes, invejas e narizes de cera, uma esperançada no aumento de votação, outra a orar a toda a hora a santos, anjos, arcanjos e querubins pedindo-lhe protecão ante a ameaça de borrasca no dia 6 de Outubro.

Aguardo os restantes debates, talvez um ou outro sejam falados em português entendível, o politiquês tem sido a regra, os candidatos largaram os tamancos, ainda não calçam Prada como o Papa teólogo e leitor de Nicolau de Cusa, falta-lhes estilo e sabedoria, calçam sapatilhas estilo Ronaldo ou não fosse o madeirense ícone da perfeição corporal. Escrevo corporal, não escrevo teologal!

Armando Fernandes

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