Génios ou vândalos – Bansky em Santarém?

Em Humores




Génios ou vândalos? Divagações sobre arte urbana enquanto ainda está uma menina a ler nas paredes do seminário de Santarém

Nos tempos que correm, um grafitti numa parede pode ser crime ou uma obra de arte ou ambas as coisas. O conceito de arte urbana vingou, há quem a roube de paredes em becos esconsos, há exposições de arte urbana, há o incentivo a esse tipo de criação para reabilitar bairros mal vistos pelas polícias, há quem chore a destruição de trabalhos em edifícios que já antes estavam condenados à demolição.

À parte o gosto pessoal, à parte opiniões políticas ou económicas, à parte posições quanto a alterações climáticas, consumismo, uso de preservativo, proibição de grafitar... nos tempos que correm, aprendemos a olhar para de outra maneira para as paredes e muros das nossas cidades. Vhils, Yup, Akacorleone,  Sainer, Bansky... assinaturas que cruzam mundo e mundos, imagens frequentemente rejeitadas e que agora começam a ter o seu direito à proteção e à fama, por mais odiadas que sejam pelas polícias das zonas metropolitanas.

Agora que fizeram um grafitti na parede da minha casa, daquele muro, da escola, do hospital, do seminário de Santarém? Quem é o génio e quem é o vândalo? O que pintou a imagem de uma menina a ler em cima de três livros que dizem Knowledge is Power (Conhecimento é Poder)? Quem mandou pintar por cima essa imagem? Quem não quer saber? Quem tenta salvar esse património na parede do edifício? Questões sobre uma arte que, por definição, é efémera, que nasceu para morrer passadas apenas algumas horas, se for o caso.

Mas há um cidadão quer defender uma nova imagem na parede do seminário da cidade. Acredita que pode ser de Bansky, um artista urbano, anónimo, polémico, que tem uma exposição até 27 de outubro em Lisboa, intitulada “Bansky: genius ou vandal?”. Um cidadão que acredita sobretudo que faz falta pensar antes de destruir. Já bateu à porta da Câmara Municipal, da Cordoaria Nacional (sim, é lá que está a exposição de Bansky) e até da leiloeira Sotheby’s que tem vendido obras do artista. Por enquanto está uma menina a ler numa parede do seminário de Santarém. Alguém, no fundo, pergunta apenas: por que não deixar ficar? O mural, garante, “fica muito bem naquele local, enquadrado pela pedra da porta”. É uma opinião. 

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