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Dia Mundial da Democracia… E a Saúde?

Em Opinião


Aproveitemos as comemorações dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde para refletirmos se hoje, setembro de 2019, séc. XXI, temos um bom Serviço, se é Nacional e se está de boa Saúde!
Ao longo destes meus 10 anos de autarca, posso afirmar que, em nenhuma outra área das políticas públicas, encontrei tamanha instabilidade. Os médicos que não temos, os enfermeiros que não são suficientes, a consulta que nunca mais chega, a cirurgia tarde de mais e, como cereja no topo de um bolo de ingestão nada recomendável, a não autorização para utilização de fármacos que podem salvar vidas.
O problema mais recorrente é a falta de médicos, na minha opinião um pseudo problema de fácil resolução, bastando, para tal, firmeza e coragem política, que é coisa que tem andado muito arredada de nós, pelo menos em algumas matérias. O minimizar do problema parece-me de tão fácil resolução que, por diversas vezes, dou comigo emaranhado num conjunto de interrogações sobre a sua exequibilidade, chegando mesmo a pôr em causa a minha sugestão, de tão “naif” que possa parecer.
Em minha opinião bastaria, por imperativo de interesse nacional, que os jovens licenciados em medicina ficassem obrigados a cumprir um número mínimo de serviço (dois anos???) no Serviço Nacional de Saúde antes de poderem ter diferentes opções profissionais, entenda-se trabalhar no privado ou rumar para o estrangeiro.
Seria de todo justo, ressarcindo minimamente um País que ajudou a custear os estudos numa formação que é das mais oneroso para os contribuintes. Não estaríamos a inventar nada, bastaria seguir o exemplo da Força Aérea com a formação de pilotos. Um modelo de certa forma idêntico já esteve em prática no nosso País quando há 40 anos foi implementado o chamado Serviço Médico à Periferia, onde centenas de jovens médicos prestaram serviço nas zonas mais “profundas” de um País que acabava de ultrapassar a “idade das trevas”. Muitos destes médicos, conhecendo as realidade, necessidade e beleza de um interior que não é tão deprimido como alguns querem fazer crer, por cá se fixaram até atingirem a aposentação, o que tem acontecido na última década, “desprotegendo” o aniversariante Serviço Nacional de Saúde.
Escrevo no dia em que o Serviço Nacional de Saúde comemora o seu 40.° Aniversário e, ouvi dizer que hoje é o Dia Mundial da Democracia. Tenho para mim que, quando existe a necessidade de se assinalar um dia mundial de “qualquer coisa”, é porque essa “coisa” não anda muito bem!

António Miguel Borges

Presidente da Câmara Municipal do Sardoal

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