O debate

Em Opinião

Já escrevi acerca dos debates paridos da campanha eleitoral. Manifestei o meu desencanto dada a sucessão de nados-mortos a entorpecedores das nossas mentes, só a motivação de ver e ouvir António Costa e Rui Rio num frente a frente impediu de escolher o canal Mezzo. O embate não redundou em cacofonia gritada, muito menos nas aleivosias envernizadas tão ao gosto de Lopes, Montenegro, Galamba e Companhia Limitada.

O debate decorreu harmonioso, cada qual a valorizar a sua vulgata programática, a argumentar de modo entendível pela generalidade dos telespectadores, a na explicitação dos conteúdos Rio demonstrou superioridade ao ser pragmático optando na decifração das suas propostas, sem esquecer a intonação relativamente às feridas existentes no SNS, nos ordenados dos juízes (nós somos invejosos) e aos julgados de paz.

Grosso modo a troca de ideias e propostas dos dois contentores já eram conhecidas, ficaram claras as razões de um e outro, prognósticos só no fim do jogo, interessou-me as apreciações dos jornalistas comentadores, do políticos ditos senadores, dos argumentistas vesgos, dos teólogos dos decretais sem terem lido e estudado Nicolau de Cusa.

Tem sido um fartote qual ementa chinesa num sofisticado restaurante de Xangai, nem baba de escorpiões faltou, nesse capítulo destaco José Miguel Júdice (oráculo do desaparecido Semanário foi obrigado a apodar-se de outra função porque se estatelou ao assegurar a derrota de Eanes na reeleição), na área do penteado armado e lacado Graça Franco da Rádio Renascença, a senhora continua a fingir humildade e lástima por Rio de modo a malhar nele como estadulho em centeio verde. Ainda no painel na SIC (que a todo o tempo desqualifica o antigo Presidente da Câmara do Porto) Marina Costa Lobo não teve alento para suster o sorriso escarninho de David Dinis, só Gomes Ferreira conseguiu contrariar a tendência costista, daí o Socialista secretário-geral ganhou amplamente.

O contrário sucedeu na TVI 24, Rangel, Lobo Xavier e Pacheco Pereira a encomiarem Rui Rio, Jorge Coelho qual Lázaro defendia Costa como defesa do Benfica não soube defender na passada terça-feira as cores encarnadas, ficou patente a saliência interesseira de Fernando Rosas a aplaudir a prestação do Presidente do PSD. Goste-se ou não de Pacheco Pereira (eu aprecio-o) as suas observações são sempre densas e neste caso certeiras ao evidenciar a anémica acção de Rio durante vários meses dada não ter arrumado a casa, nem afastado a matilha (sic) que lhe ladra e morde sempre que tem possibilidades.

A RTP é e desta feita ainda mais – a voz do dono – da propaganda cor-de-rosa e está tudo dito!

Armando Fernandes

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