Vespas asiáticas caçadas por apicultor na cidade de Santarém

Em Região

Em menos de uma semana, o apicultor Júlio Inácio já capturou cerca de duas dezenas de vespas asiáticas, através de uma armadilha, colocada perto do apiário no Jardim de Cima, nos arredores da cidade de Santarém.

Júlio Inácio usa armadilhas feitas com garrafas de plástico de 2 litros, com uma mistela de água com fermento e açúcar que atrai estas vespas. Uma receita com resultados comprovados que já está a ser aplicada há algum tempo por outros apicultores da zona de Proença a Nova e Mação, como defesa dos apiários contra a vespa asiática que se alimenta das abelhas.

Júlio Inácio afirma não ter ainda avistado nenhum ninho destas vespas asiáticas, mas a prova de que elas andam por aí em grande número está na quantidade de insetos que já capturou nesta última semana.

A Vespa velutina é uma espécie não-indígena, predadora da abelha europeia (Apis mellifera), encontrando-se já distribuída aos territórios a norte do Tejo. Esta vespa asiática, proveniente de regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia, do leste da China, da Indochina e do arquipélago da Indonésia, ocorre nas zonas montanhosas e mais frescas da sua área de distribuição.
Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e florestas, “a sua introdução involuntária na Europa ocorreu em 2004 no território francês, tendo a sua presença sido confirmada em Espanha em 2010, em Portugal e Bélgica em 2011 e em Itália em finais de 2012”.
 Na época da primavera constroem ninhos de grandes dimensões, preferencialmente em pontos altos e isolados. Esta espécie distingue-se da espécie europeia Vespa crabro pela coloração do abdómen (mais escuro na vespa asiática) e das patas (cor amarela na vespa asiática).
 

Os principais efeitos da presença desta espécie não indígena manifestam-se em várias vertentes, sendo de realçar: na apicultura – por se tratar de uma espécie carnívora e predadora das abelhas; para a saúde pública – não sendo mais agressivas que a espécie europeia, no caso de sentirem os ninhos ameaçados reagem de modo bastante agressivo, incluindo perseguições até algumas centenas de metros.
 

O Instituto Conservação da Natureza e da Floresta alerta para que a “deteção ou a suspeita de existência de ninho ou de exemplares de Vespa velutina nigrithorax deverá ser comunicada através de um dos seguintes meios: inserção/georreferenciação online do ninho ou dos exemplares de vespa e preenchimento online de um formulário com informação sobre os mesmos, disponível no portal www.sosvespa.pt, acessível a partir dos portais da Direção Geral de Veterinária e Alimentação, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, das Direções Regionais de Agricultura e Pescas, do SEPNA/Guarda Nacional Republicana e das Câmaras Municipais respetivas;

Preenchimento de um formulário – Anexo 4 – e envio para a Câmara Municipal da área onde ocorreu a observação; Preenchimento via Smartphone disponível no portal www.sosvespa.pt; Contactar a linha SOS AMBIENTE (808 200 520). Neste caso o observador será informado do procedimento a seguir para a efetiva comunicação da suspeita; Poderá também solicitar a colaboração da junta de freguesia mais próxima do local de deteção/suspeita, para o preenchimento do formulário – Anexo 4 . 

Deverá, sempre que possível, ser anexada fotografia da vespa ou do ninho, para possibilitar a sua identificação. 

Qualquer informação, comunicada através dos meios atrás referidos, será encaminhada para a Câmara Municipal correspondente ao local de deteção/suspeita, que dará o devido seguimento ao processo.
 Em caso de necessidade de identificação de exemplares, deverá proceder-se ao seu envio para o INIAV, que fará a respetiva confirmação. A confirmação deverá ser sempre reportada ao portal www.sosvespa.pt, que centraliza a informação recebida.
 A destruição dos ninhos deve ser feita com equipamento de protecção e seguindo as orientações constantes no Plano de Ação. Nunca usar armas de fogo (e.g. armas de caça), mesmo no caso de difícil acesso aos ninhos, pois este método só provoca a destruição parcial do ninho e contribui para a dispersão e disseminação da vespa asiática por constituição de novos ninhos. Na ausência ou perda da rainha, esta espécie tem a capacidade de as obreiras se transformarem em fêmeas fundadoras e construírem novos ninhos. 

No âmbito do Plano de Ação e de acordo com o determinado no seio da Comissão de Acompanhamento  para a Vigilância, Prevenção e Controlo da Vespa velutina (CVV), a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal elaborou um Manual de Boas Práticas na destruição de ninhos de Vespa velutina, que mereceu a aprovação da CVV e que se encontra à disposição das Câmaras Municipais para apoio nessa tarefa.
 

1 Comment

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Recentes de Região

Ir para Início