Rio Sorraia transformado “depósito local de entulho”

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“Bastou uma breve passagem pelo Trejoito para percebemos que continuadamente o rio Sorraia é visto como um depósito local de entulho”, afirma Sandra Alcobia, ativista do movimento Juntos pelo Sorraia que recentemente organizou uma caminhada para chamar a atenção para a situação do rio.
“À parte os inúmeros eletrodomésticos retirados do seu leito no decorrer das limpezas é possível ver ao longo das margens depósitos de entulhos de obras”, afirma a ativista, considerando que “poderíamos ser levados a acreditar que pelo menos durante o decorrer das acções de limpeza não se verificassem novos episódios de deposições ilegais, no entanto, a falta de respeito por quem diariamente se tem esforçado para o restauro de um curso de água tão importante como o rio Sorraia foi mais uma vez manifestada não podendo continuar a ser tolerada”.

Segundo Sandra Alcobia, “mesmo com as evidências da presença de autoridades responsáveis pela conservação dos cursos de água na área, novos depósitos de entulho proveniente de obras surgiram junto às margens do Sorraia. Estes comportamentos vêm reforçar a necessidade de devolver aos rios portugueses os seus guardas, há demasiados anos afastados. Vem reforçar a necessidade da vigilância, denúncia e responsabilização”.

“A luta que surgiu no movimento que se gerou em torno do rio Sorraia vai muito além da luta contra uma praga”, afirma Sandra Alcobia, sublinhando que “a luta é por um todo, pelo restauro ecológico do rio, revitalizando a vida que em tempos teve. Trata-se de uma luta pela sua justa utilização quer ela seja de cariz recreativo ou económico mas acima de tudo uma luta pelo uso de um rio de forma sustentável”.

Para esta ativista “depósito de entulho de obras, lixo, poluição, excesso de nutrientes, assoreamentos, diques de contenção não planeados, não cabem na equação da sustentabilidade do rio”.

Três semanas passaram após o início dos trabalhos no Rio Sorraia

Em finais de Agosto deram início as primeiras acções de remoção de jacinto-de-água que se instalou no rio Sorraia cobrindo quase a totalidade do seu leito. A remoção mecânica desta infestante foi iniciada no Trejoito sob alçada da APA e com o apoio da Associação de Regantes e beneficiários do Vale do Sorraia e Bombeiros Voluntários de Benavente.

Sandra Alcobia afirma que “pouco mais de três semanas passadas, uma breve passagem pelo Trejoito revela bem o esforço a contra-relógio que tem vindo a ser realizado naquela que será a primeira etapa de um longo percurso”.

As marcas deixadas pelas máquinas são visíveis ao longo do caminho que acompanha o leito do rio, permitindo o acesso à margem em diversos pontos onde o azul da água é já visível.

As redes de contenção instaladas a montante da zona de operação mecânica parecem estar a exercer bem a sua função e grande parte da massa verde de jacinto-de-água inicialmente visível neste troço foi já retirada, ainda que em detrimento de alguns salgueiros, lentiscos ou freixos.

Para a ativista, “é possível perceber todo o trabalho manual que ainda se avizinha, de modo a conseguir remover os jacintos que se encontram enredados na vegetação ribeirinha e evitar, assim, a contínua propagação da espécie. Foi gratificante perceber a presença de indícios da passagem de lontra em alguns pontos junto à margem, indicador de que com trabalho continuado ao nível do restauro ecológico do rio Sorraia, o equilíbrio do ecossistema poderá ser retomado, a vida no rio pode voltar ao normal”.

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