Debates e caceteiros

Em Opinião

Na passada sexta-feira, na Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, candidatos de dez partidos políticos reuniram-se para um debate eleiçoeiro concentrado nos temas que mais interessam às gentes do Distrito de Santarém. Assim, os representantes de BE, PAN, PS, PSD, PNR, Nós Cidadãos, Livre, Iniciativa Liberal, CDS-PP e Aliança tentaram elucidar-nos – utilizo o verbo tentar, porque alguns falharam redondamente nesse propósito – acerca do que defendem para uma realidade regional com características e problemas muito próprios.

Depois de, atentamente, escutar os concorrentes às eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Santarém, não consigo esconder que fiquei boquiaberto com o apelo ao voto exteriorizado por Patrícia Fonseca, cabeça-de-lista pelo CDS-PP, perante uma plateia de observadores que se devem ter perguntado, no recato das suas mentes, se a senhora vivia no mesmo planeta que eles.

Na verdade, o pseudocentrismo actual desta histórica agremiação política, sobremaneira radicalizada, pueril e carecida de bom senso, levou a debatente a afirmar que, se ambicionamos por um País mais livre, em que ninguém dita os espectáculos a que podemos assistir – entre outros exemplos –, há que lutar contra o socialismo e optar por Assunção Cristas e pelo resto da sua turma de orgulhosos conservadores que apreciam Hentai. De uma forma atoleimada, transmitiu a ideia de que vivemos sob o manto estrangulador de uma ditadura socialista.

Não capitulo à palerma diatribe de que estamos à beira de uma sovietização do regime, porquanto todos sabemos que, concordando ou discordando com o que foram estes 4 anos de legislatura, nada justifica esse raciocínio desprovido de verosimilhança. Não vale a pena alimentar uma blague mediatizada que, a meu ver, em nada contribui, com eficiência e eficácia, para a conquista das almas em contexto democrático.

Sinceramente, eu compreenderia se Patrícia Fonseca nos presenteasse com um discurso algo similar, em que nos afiançaria que preferir o cardápio de denominações por si liderado se traduziria numa melhoria da qualidade de vida e no aumento do poder de compra dos residentes no Distrito de Santarém, bem como no aperfeiçoamento das acessibilidades e da oferta cultural, para que qualquer pessoa, sem excepção, se pudesse deslocar com facilidade e, sem sentir o aperto da fome, fruisse de entretenimentos e exibições do seu agrado. Agora, veicular a noção de que alguém decide por nós o que vemos e ouvimos, leva-me a crer que, no país das uvas (relembrando o saudoso Fialho de Almeida) do Largo do Caldas, alguém gosta excessivamente do néctar fermentado que se extrai do fruto da videira.

Este irrealismo, com efeito, faz do CDS-PP uma espécie de PCTP-MRPP da Direita, o que explica o seu esvaziamento quiritário e as sondagens que o aproximam do inquietante PAN, um aglomerado de fundamentalistas New Age com horror aos prazeres carnais (interpretem como quiserem).

Noutra nota, e mudando de assunto, António Costa está em pânico! O tom cordato e o sorriso bonacheirão foram, nos últimos tempos, substituidos por palavras ríspidas e por uma carranca sisuda típica de quem teme perder e simplesmente perder. Vejam lá que até ofertou o palco de campanha aos eméritos caceteiros da sua equipa: o nepotista Carlos César e o vivaracho Augusto Santos Silva, um expert em fazer de nós parvos que, sempre que fala de modo carroceiro, me obriga a concluir que as iniciais do seu nome (ASS), se pensarmos em inglês, são tremendamente reveladoras…

Dia 06 de Outubro avizinha-se, e, recuperando as referências vinícolas, até ao lavar dos cestos é vindima!

PS: Se estão curiosos sobre o que é Hentai, caros leitores, compulsem esta notícia: https://observador.pt/2019/08/23/deputado-do-cds-partilha-imagem-hentai-para-criticar-lei-de-identidade-de-genero/

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*