Votar ou comprar raspadinhas?

Em Opinião

A raspadinha, ou o jogo de sorte [e azar], como “solução” para os problemas da vida tornou-se uma “praga” generalizada.

É fácil encontrar lugares onde se vendem jogos de sorte, mesmo próximos de escolas; estes jogos tornaram-se socialmente bem aceites.

Essa aceitação favorável reside numa palavra: esperança! Milhões de pessoas gastam milhões de euros na esperança que lhes saiam centenas. Vivemos numa época em que existem imensas variedades de jogo e alguns deles patrocinam até competições desportivas.

O jogo como a luz ao fundo do túnel para uma vida melhor é comumente aceite. O jogo é a esperança de se conseguirem os meios financeiros que os salários não garantem. A generalidade das pessoas perceciona ser mais viável / possível obter mais receitas no jogo do que através do aumento dos salários. Só que o jogo é construído com base em fórmulas matemáticas e portanto os seus promotores nunca perdem – só ganham! Só perde quem joga. É uma dicotomia entre perceção e realidade!

O jogo é uma forma de adição que já encontrámos nos casinos. É uma droga mental e é também uma forma de alienação em que as pessoas muitas vezes se alheiam de lutar por uma vida melhor.

Este fenómeno de adição atingiu proporções “dramáticas” em Madrid. No passado domingo milhares de pessoas manifestaram-se com a palavra de ordem “Aposta pelo teu bairro”, contestando a proliferação das casas de apostas. Um dos alvos da contestação é o ex-ministro da Justiça Rafael Catalá, da direita espanhola, do PP, contratado em julho como lobista pela empresa Codere, uma das principais operadoras de jogo online, casinos e máquinas de jogo.

É também como “praga” que as Comissões de Moradores de Madrid classificam esta proliferação do jogo a qual está a afetar imenso a juventude.

“Não vou votar porque são todos iguais” é o princípio que, afinal, só se aplica aos jogos de azar. Arriscaria dizer que há muitas mais pessoas a jogar em raspadinhas, jogos online, totoloto, etc, etc, do que a votar.

São escolhas do tempo que este tempo tem!

Vítor Franco

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