Quando os doidos sobem ao poder…

Em Opinião

Indagai…

Perscrutai vossas mentes… Lembram-se de como era o Reino Unido antes de Boris Johnson? Como era o Brasil antes de Bolsonaro? Os EUA antes de Trump? A Turquia antes de Erdoğan?

Sentai-vos… Concentrem-se… Respirem fundo, com calma… Descontraiam… Pois bem, recordai-vos como o mundo era melhor. E como agora se faz da barbárie uma banalidade…

A inquietação que vivem tantas e tantos portugueses no reino da rainha faz-de-conta, tantas outras pessoas de tantas nacionalidades ante tamanha incerteza e sua legalidade no país, um país desgovernado cujo primeiro-ministro afirma no Parlamento que não cumpre a decisão do próprio Parlamento…

A dor que atravessa o país irmão, as lideranças nativas e ativistas de direitos humanos assassinados, milhões de hectares incendiados na floresta amazónica – imenso verde que nos dá medicamentos ou oxigénio e permite que povos milenares possam sobreviver…

Milhares e milhares de pobres em desalinho, iludidos numa miragem de um oásis norte-americano, esfomeados e escorraçados de todos os lados, oprimidos dentro e fora de uma fronteira física e social intransponível, sedentos de uma esperança que não chove, queimados por um sol presidencial que como Hitler precisa de inimigos externos para iludir sombras ditatoriais internas…

Guerra, mais guerra… Agora matam-se aqueles que mais “nos” salvaram: os Curdos! Turquia de contrastes gritantes, a nossa aliada na NATO, um líder que disse e cumpriu: “A democracia é como um comboio: quando se chega ao nosso destino, saímos“!

E por falar em NATO: que estamos a fazer nesta aliança militar sem qualquer razão de existência?! Que responsabilidades temos em comum com Erdoğan, Trump ou Boris Johnson?

Sim, até que ponto é que as suas loucuras neonacionalistas, extremistas, fascizantes, se coadunam com um regime dito democrático como o nosso? Sim, com que gente andamos metidos? Sim, de que gente doida dependemos nas relações internacionais, na paz do país, na estabilidade da vida de dezenas de milhões de portugueses espalhados pelo mundo?

Perscrutai vossas mentes, vosso querer…

… “É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade
”… *

Luís de Camões, perene inspirador, que nos mostraste como o “amor é fogo que arde sem se ver”… Permite, amigo Camões, que tenha transfigurado o teu sentido poético ou partilhado a tua antítese. Permite que indague as nossas gentes, não pelo amor – mas pelo seu antónimo -, o que ajuda doidos a subir ao poder!

– Fica assim a vossa apatia, fica assim o querer do vosso assentimento sem nervo?

Vítor Franco

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*