Operação Nariz Vermelho – Doutores Palhaços já visitaram mais de 46 mil crianças nos hospitais

Em Saúde

O Mais Ribatejo entrevistou Rosária Jorge, da direção executiva da Operação Nariz Vermelho (ONV), Instituição Particular de Solidariedade Social, sem vínculos políticos ou religiosos, que promove semanalmente visitas de Doutores Palhaços, artistas profissionais, às enfermarias pediátricas de 17 hospitais do país.

Tendo como principal objetivo transformar momentos, tornando mais alegre a vivência das crianças hospitalizadas e dos seus familiares, a ONV existe oficialmente desde 2002 e conta atualmente com uma equipa de 26 Doutores Palhaços e 14 profissionais nos bastidores. Os Doutores Palhaços visitam por ano cerca de 46.000 crianças.

Em 2005 a ONV foi distinguida com o prémio Serviços Sociais, atribuído pelo Hospital do Futuro, o Diploma de Reconhecimento de Mérito pela Ordem dos Médicos e, em 2009, recebeu pelas mãos da Assembleia da República o Prémio de “Direitos Humanos”. Em 2019 recebeu pela mão da Ministra de Saúde, Marta Temido, a distinção de Mérito do Ministério da Saúde.

A Operação Nariz Vermelho lançou o programa “Parceiro Sorrisos”, um Programa de Angariação de Fundos, direcionado ao Público Empresarial, com o intuito de sensibilizar sobre o trabalho desenvolvido e consequentemente captar “Empresas Doadoras Regulares”, isto é, Empresas que contribuam para a missão, através de um donativo regular mensal – valor simbólico.

O objectivo é alargar a intervenção da Operação Nariz Vermelho e chegar mais hospitais, incluindo o distrito de Santarém.

–  Para além dos 26 Doutores Palhaços, a face mais visível da instituição, quantas pessoas colaboram atualmente com a Operação Nariz Vermelho a nível nacional e, em particular, no distrito de Santarém?  

Antes de mais é importante sublinhar que, com muita pena nossa, ainda não chegámos ao distrito de Santarém. O processo de escolha de um novo hospital a visitar tem como critério-base o número de leitos, procurando assim chegar às pediatrias de maior dimensão.

Todos os anos temos a ambição de chegar a novos hospitais. Um dia chegaremos ao distrito de Santarém, com toda a certeza.

Neste momento contamos com uma equipa artística de 30 pessoas (os nossos Doutores Palhaços) e com uma equipa de “bastidores” de 16 pessoas que trabalham todo o ano na comunicação e angariação de fundos da associação.

– Sendo as visitas dos Doutores Palhaços marcadas também pelo improviso resultante da interação com as crianças e até com adultos, quais são os requisitos base para uma boa abordagem a crianças doentes, por vezes em situações graves?

Treino. Muito treino. A equipa da ONV é formada e remunerada por nós de forma a assegurar a maior qualidade nesta mesma interação. A nossa equipa recebe formação artística adequada às características e limitações do meio em que trabalhamos (visitamos serviços onde nem os pais podem estar), bem como formação hospitalar que permite adequar a nossa atuação aos diferentes serviços. Por exemplo, num Bloco Operatório, o Doutor Palhaço não pode sequer estar “em figurino”. Tem que estar esterilizado, de bata, touca e máscara.

O nosso treino intensivo e formação permanente são os segredos para poder fazer face aos desafios trazidos pelo contexto de hospital.

– Os Doutores Palhaços representam apenas médicos ou há na equipa outros profissionais de saúde com quem as crianças hospitalizadas mantém contacto durante o internamento?

É importante explicar que os nossos Doutores Palhaços não são profissionais de saúde (médicos ou enfermeiros). Todos eles tem formação artística de base (alguns vêm da formação musical, outros do teatro) e recebem depois, na ONV, formação específica para atuar neste “cenário” tão delicado. Um hospital não é um circo, logo estes Doutores Palhaços atuam de forma personalizada, quarto a quarto, criança a criança. Não há uma atuação “padrão”.

– Quem e como se pode ser um Doutor Palhaço?

Qualquer pessoa com formação artística, preferencialmente de ‘Clown’ e que, no decorrer dos nossos castings, vá ao encontro dos requisitos da Direção Artística.

– Dr. Batota, Dr. Kotonete Komkapa, Enfermeira Compressa ou a Enfermeira Xtruz são apenas alguns… De que forma e por quem são escolhidos os nomes dos Doutores Palhaços? É uma tarefa difícil?

O Doutor Palhaço é uma construção do próprio artista, desde o nome ao figurino, não esquecendo a sua própria “personalidade”.

– Quantas crianças foram já visitadas pelos Doutores Palhaços em todo o país desde o início da Operação Nariz Vermelho? 

É difícil contabilizar, uma vez que, nos primeiros anos visitávamos apenas 3 hospitais e hoje estamos em 17, sendo que também os serviços visitados foram crescendo dentro de cada hospital. Atualmente visitamos mais de 46.000 crianças por anos. Partindo deste raciocínio podemos dizer que já visitámos seguramente milhares e milhares de crianças.

– Dos 17 hospitais dos país em que estão presentes, quais são as enfermarias pediátricas que os Doutores Palhaços visitam no distrito de Santarém e com que regularidade?

Como referimos no início ainda não estamos no distrito de Santarém. Lá chegaremos! É com esse objetivo que angariamos fundos todos os anos: manter os programas nos hospitais de que já visitamos e chegar a todos os outros onde ainda não estamos.

O apoio da comunidade é fundamental, já que não temos qualquer apoio do Estado. O programa Parceiro Sorrisos é uma forma muito simples e eficaz de ter o apoio de empresas de todo o país.

Por vezes a sociedade civil não tem perceção de que, todos os anos, precisamos de assegurar o nosso orçamento a partir do zero. Nada é garantido de um ano para o outro.

Daí termos uma equipa forte a trabalhar na nossa comunicação e angariação de fundos, criando novas formas possíveis de apoio dirigidas tanto a particulares como empresas. O programa Parceiro Sorrisos é uma das nossas mais recentes apostas e que pode ter um enorme impacto no financiamento da nossa missão.

Um donativo mensal de 40€ pode parecer irrisório, mas se o multiplicarmos por centenas de empresas que podem aderir, torna-se um pilar importante.

Não estamos ainda no Ribatejo mas sim, queremos alargar a outras unidades hospitalares. Ribatejo, Alentejo e Algarve são as zonas do país onde não estamos ainda e queremos muito poder estar num futuro próximo.

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