Mercado Municipal de Santarém – “Ser comerciante aqui…”

Em Opinião

Ser comerciante aqui

É algo de tramado

No prazo de 5 dias

Pode ser despejado.

De 38 anos aqui

Levo saudades em mente

De colegas, clientes e amigos

Menos deste Presidente”.

Começo esta minha última crónica antes de férias com duas quadras de um comerciante do Mercado Municipal de Santarém que bem traduzem o que por lá, e afinal pelo nosso concelho, se está a passar.

Volto ao tema, porque o Edital que a Câmara Municipal fez afixar na passada 3ª-feira, dia 23, no mercado, a isso me obriga.

É que ele é tão fascinante (pela negativa, obviamente) como inédito, pelo que não o podemos deixar passar em claro, de forma alguma.

Todo o Edital é uma “pérola” própria do melhor dos sistemas ditatoriais. Mesmo que se diga que o texto é assim porque vem na sequência de outros contactos, que não surgiu do nada, continua a não ser aceitável num estado de direito, como (supostamente) é o nosso…

Leiam pelo menos as partes assinaladas:

Agora uns estão a sair definitivamente, outros talvez vão acabar de matar o seu negócio para a Casa do Campino, onde poderão estar aos bochechos, tendo de sair no Festival de Gastronomia e nas Festas de São José, presente envenenado com que a autarquia lhes acenou.

Certo é que, dali, do Mercado Municipal, todos tiveram já de sair.

Todo este processo foi conduzido pela Câmara Municipal sob o lema “nós mandamos, vocês obedecem”. É essa a atitude certa?! Não teria sido melhor, logo desde o início, preferirem a abordagem “nós propomos soluções e consensos”? É que se, desde o início, a Câmara tivesse percebido que “não é com vinagre que se apanham moscas”, certamente que todo este processo teria sido bem pacífico e consensual. Até porque a necessidade e oportunidade da requalificação e alteração do atual mercado é perfeitamente aceite e aplaudida por (quase) toda a gente… Por prepotência, perderam a oportunidade de ter somado pontos. Até porque esta poderá ser a primeira (e talvez única) obra relevante deste executivo.

Que diferença se olharmos para outras formas de lidar com os munícipes, como tem acontecido em Almeirim, em que está em curso uma obra do mesmo cariz, mas em que tem havido reuniões com os comerciantes que vendem no mercado municipal, com grande participação e uma reação muito positiva, porque tem sido mútua a procura de soluções para que em conjunto se possa dinamizar o espaço no futuro, tal como criar um local para instalar todos os que hoje lá estão enquanto decorrem as obras, para depois todos também poderem voltar… pois pretende-se que aqueles que hoje ali vendem, possam regressar no final das obras.

Resta-nos agora ter esperança que próximas situações comparáveis, se tiverem lugar, tenham tratamento diferente, que este executivo consiga tirar lições desta vivência e aprender com os erros, como todos devemos fazer ao longo da nossa vida.

Francisco Mendes

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