Pelo direito à greve!

Em Opinião

A pergunta que interessa fazer é: será por capricho que a grande maioria de um setor profissional decide fazer greve, com uma determinação assinalável, perdendo o seu salário, só pelo facto de estar a ser encantada por um dirigente?

Importa refletir com serenidade!

  1. Um salário base muito baixo.

O salário base é o elemento mais forte de segurança e estabilidade do trabalhador. É sobre ele que incidem a baixa por doença, o seguro de acidente de trabalho ou a pensão de reforma. As empresas têm conseguido baixar os salários, prejudicando particularmente os jovens.

Conclusão: recuperar os salários base mais baixos é uma necessidade premente que urge solucionar. Era nisso que Costa se devia ter empenhado!

  1. O crescente e negativo peso das remunerações variáveis.

Remunerações variáveis, como ajudas de custo, prémio de produtividade, prémios não declarados nas folhas salariais, prémios de avaliação de desempenho, prémios por km, horas extraordinárias, são úteis para compor o salário mas caiem sempre na arbitrariedade patronal; são as hierarquias ou empresas que decidem quem, quanto, quando e como são os critérios. Isto coloca “uma espada de submissão sobre a cabeça das pessoas” e gera uma pressão crescente que um dia estoura.

Conclusão: é necessário passar remunerações variáveis para salário, uma das reivindicações principais dos motoristas, obrigando os patrões a pagar os respetivos impostos!

  1. As formas de luta.

Uma greve resulta, regra geral, em prejuízo para alguém. É patente que continuar greves administrativas, sem resultados e sem capacidade de efeito, dificilmente produz melhorias para os trabalhadores.

Acresce que “sindicatos de regime”, ou “controlados pelo partido”, procediam à convocação de greves sem os trabalhadores votarem democraticamente a decisão. Isso afastou a participação e tornou a democracia residual. Os motoristas indicam seguir um processo que valorizo: os sócios decidem.

Conclusão: A democracia cria força e unidade!

  1. A requisição civil era necessária?

Não, ela é o caminho de António Costa desde que afastou o ministro Pedro Nuno Santos da tentativa de compromisso entre patrões e sindicatos. Costa criou um precedente grave contra o direito à greve, anti-sindical e talvez anti-constitucional. O seu objetivo é afirmar-se à direita, mostrar a esse eleitorado que ele é o voto útil patronal e não Rui Rio.

Conclusão: O governo afirma-se intolerante perante os trabalhadores e subserviente à ANTRAM. O PSD tornou-se desnecessário aos patrões intolerantes, agora estes têm o PS!

Vítor Franco

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