A escolha dicotómica: autoritarismo ou diálogo!

Em Opinião

O Partido Comunista da China, que governa o país desde 1949, é objetivamente o meu patrão. O PC Chinês, que esteve representado na festa do Avante, controla o Estado Chinês que é o maior acionista da EDP. Assim que tomou o controlo da EDP denunciou autoritariamente o Acordo Coletivo de Trabalho.

O Partido Conservador do Reino Unido governa desde 2010 e o seu líder Boris Johnson é também conhecido pelo seu exercício autoritário que tem levado à deserção contínua de deputados e dirigentes do seu partido. É ferozmente monárquico; em agradecimento a rainha concedeu-lhe o golpe de estado ao mandar suspender o parlamento.

Outro destacado autoritário é Donald Trump. Depois das políticas belicistas e agressoras no mundo, ele recoloca um incentivo nas políticas nacionalistas, na exclusão, no racismo.

Todos estes exemplos são muito diferentes entre si: países muito diferentes, povos diferentes, partidos diferentes, interesses e histórias diferentes. Todos têm um ponto em comum: o autoritarismo dos seus dirigentes políticos. Bem (…) os “camaradas chineses” foram-me à carteira e aos meus direitos de trabalhador!

É por aqui que vale a pena olhar para Portugal: queremos um país mais autoritário ou um país mais democrático, plural e dialogante?

O autoritarismo não casa com democracia nem com diálogo, daí que tenham sido “estranhos” alguns tiques sobre serviços mínimos obrigatórios em greve.

O caso da Ryanair é elucidativo: a companhia de aviação não cumpre a lei portuguesa – mas os trabalhadores que queriam que se cumprisse a lei laboral portuguesa foram obrigados pelo governo português a cumprir mínimos a favor do patrão que não cumpre a lei portuguesa. Bonito serviço Sr. Costa!

De forma idêntica o mesmo tinha acontecido com os motoristas de matérias perigosas: agora até se inventam serviços mínimos no tempo de descanso e fins de semana. Assim, quando a família do motorista quiser ir à praia ou visitar os pais à terra ele tem de telefonar ao patrão a perguntar se este não o vai chamar para serviços mínimos…

Com o afã por serviços mínimos Costa guinou à direita para inversão de marcha. A guinada autoritária de Costa permitiu-lhe ganhar apoios na direita e subir nas sondagens à custa desta. Não há “Código da Estrada de Esquerda” que aguente! Uff…

A escolha que me parece ser evidente e dicotómica para as legislativas é se queremos um país mais autoritário ou fazer acontecer um país mais democrático, plural e dialogante! As pessoas decidirão.

Vítor Franco

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