Alternativas ao encerramento da central a carvão do Pego

Em Opinião

António Costa anunciou com a pompa e circunstância de uma tomada de posse que iria encerrar as centrais a carvão do Pego e de Sines.

Os casos são diferentes. Em primeiro lugar porque são duas centrais com peso energético e social muito diferentes e em segundo lugar porque o dono do Pego já antes tinha anunciado que iria encerrar a sua central a carvão.

Em comum: tal decisão é feita sem ouvir as organizações de trabalhadores, os sindicatos e Comissões de Trabalhadores o que significa desrespeito por quem trabalha.

Interessante. Fechamos centrais a carvão mas não produzimos painéis fotovoltaicos que são uma tecnologia de ponta. Há alguns meses quando a direção do Sindicato das Indústrias, Energia e Águas de Portugal, SIEAP, à qual pertenço, reuniu com o Secretário de Estado João Galamba perguntei-lhe pela posição do governo face ao encerramento da fábrica de painéis de Moura. A resposta foi que “os chineses já tinham cumprido os 10 anos de produção a que se tinham comprometido” e que era “o mercado”.

A propósito de tecnologias Marx escreveu há “uns tempos” um texto sobre tecnologia que mantem toda a validade:

A natureza não constrói máquinas, nem locomotivas, ferrovias, telégrafos elétricos. Estes são produtos da indústria humana: material natural, transformado em órgãos da vontade humana sobre a natureza ou sua ação na natureza. São órgãos do cérebro humano criados pela mão humana; força objetivada do conhecimento”… 

O interessante texto de que aqui se apresenta é um pequeno extrato é um interessante trabalho: “Elementos fundamentais para a crítica da economia política”, também conhecido por “Grundrisse”. Agora que os produtos da indústria humana se desenvolveram exponencialmente só faz sentido que sejam colocados ao serviço de toda a comunidade humana. Pois, no ano em que fecha a fábrica de produção de painéis solares, deviam ter aberto cinco ou seis. Mas é o mercado que manda…

No mercado não cabem, ou talvez sim, os milhões que o atual dono da PEGOP foi isentado de SISA, nem os 8 milhões que devia ter pago ao abrigo da responsabilidade em tarifa social, nem os 150.000€ que a própria câmara lhe perdoou. A PEGOP consta nos meios da “caserna elétrica” como o que ganha mais quanto menos fizer. Compreende-se, quando acabam os Contratos de Aquisição de Energia, ou quando acaba a super receita garantida fecha-se.

António Costa ainda vai ficar conhecido como o “valentão” da descarbonização. O “valentão” que não dialogou com quem representa os trabalhadores mas tão bem dá dinheiro aos patrões. As notícias já pululam para muitos milhões mais de subsídio para passar o Pego de carvão a biomassa. Biomassa que já nem chega para as centrais a biomassa existentes.

O meu sindicato, o SIEAP respondeu a esta questão colocando:

Não nos opomos à descarbonização da economia mas opomo-nos a que em nome dela se criem outros problemas sociais graves sobre os trabalhadores e suas famílias. A melhoria do ambiente é compatível com a melhoria da vida de todas as pessoas”.

Fazer fábricas de painéis solares nacionalizadas é o futuro. É um dos desafios da força objetivada do conhecimento!

Vítor Franco

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