Atropelamentos em passadeiras, há medidas a tomar!

Em Opinião

Uma menina de 13 anos foi atropelada numa passadeira, na Avenida do Grupo de Forcados Amadores de Santarém, junto à EDP, no passado dia 17 de Outubro .

Sendo o meu local de trabalho perto dessa passadeira, foram muitas as vezes que o chiar das travagens e o embate de viaturas fez troar sons que nos fazia correr para as janelas para indagar do que tinha acontecido.

O tema dos atropelamentos é revisitado com frequência nas conversas com amigos ou nos programas de rádio em que participo. Com ele vem toda a amplitude da mobilidade, da relação entre automóvel, bicicletas e peões, afinal, também do conceito de cidade que queremos.

Sendo um “autodidata social” procuro informar-me antes de opinar sem assumir pretensiosismos. Mas não posso ficar indiferente à continuada repetição de erros no que à mobilidade urbana diz respeito; até porque é vasta e acessível a informação de como se deve fazer bem.

A passadeira a que referi de início foi, há algum tempo, intervencionada nomeadamente reforçando a iluminação sobre ela. Isso foi bem feito, tanto mais que os estudos demonstram que o número e gravidade dos acidentes duplica com a falta de iluminação. Algumas outras melhorias foram introduzidas em algumas outras, poucas, passadeiras nomeadamente com a implementação de pisos de alerta e ou cautela para pessoas invisuais.

Mas faltaram outras medidas dissuasoras da velocidade e propiciadoras do reforço da atenção de peões e motoristas. Por exemplo: i) uma zona de pavimento anterior e com bom coeficiente de atrito para melhorar a segurança da travagem, ii) o uso de cor na aproximação à passadeira, iii) a extensão dos passeios para a passadeira…

Um dos problemas essenciais desta avenida, como de outras na cidade, é o uso de pistas rodoviárias largas, retas prolongadas, falta de elementos dissuasores da velocidade com a modificação da forma de estacionamento, o uso de obstáculos…

O convite à aceleração ainda fomenta mais os “artistas” que fazem desta avenida pista de corrida e acrobacias que já têm acabado em embate em árvores e postes de iluminação pública. Tal facto não parece suscitar reflexões no executivo camarário, agora reinventado na versão Moitas Festas 2.

Outra passadeira alvo de frequente sobressalto é a situada junto à rotunda de S. Domingos, Rua Atriz Alda Rodrigues, devido à velocidade com que os automobilistas ali chegam vindos da Rua O ou do lado de baixo. Esta situação tem sido alvo de frequentes pedidos de melhoria da parte dos moradores junto da Câmara, mas até agora nada!

Há pouco escrevi a palavra bicicleta. Pois… Aqui tenho de dar um prémio a Ricardo Gonçalves, ao seu executivo e aos que o antecederam. Com toda a justiça, atribuo-vos o prémio de melhores criadores de mini-micro-ciclovias do país!

Vítor Franco

Fontes:

Seco, Álvaro, Macedo J., Pires, A. (2008) Manual do Planeamento de Acessibilidades e Transportes, CCDRNorte.

Ribeiro, João (2010). A Segurança dos Peões em Meios Urbanos, Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil, Instituto Superior Técnico.

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