O papão das redes sociais…

Em Opinião

Nuno Markl, conhecido humorista, apagou a sua página no Facebook. Diz Markl: “Estou cansado. Não só esta rede já não tem qualquer utilidade para divulgar trabalho ou para debater assuntos interessantes, como é um viveiro inútil e desgastante de ódios e embirrações.”

Uma cliente minha de há muitos pares de anos, revelou-me num e-mail há 2 ou 3 semanas, após ter-lhe pedido amizade no Facebook: “Ainda não percebi para que servem as redes sociais a não ser quando se trata de empresas que queiram dar relevo à sua atividade. E quando ouço falar no tempo que as pessoas perdem, ainda mais confirmo que a minha falta de apetência é neste caso uma mais valia!”.

O Nuno Markl é uma das personalidades públicas cujo trabalho aprecio; parece-me, mesmo sem o conhecer pessoalmente, que é boa gente. A minha cliente é pessoa de clarividência, ponderada, que não fala só por falar e que muito considero. Mas não posso concordar nem um pouquinho nem com um nem com o outro…

Este é um assunto muito batido, mas que devemos continuar a debater… As redes sociais vão certamente fazer parte da nossa vida nos próximos anos, quem sabe se, para muitos de nós, até ao final da vida, e por isso não são tema para deixarmos ao acaso. Mas também não é preciso fazermos um bicho de sete cabeças com elas, em particular com o Facebook, para os mais entrados nos anos, e com o Instagram, para os que por cá andam há menos.

Se formos assim tão radicais e irascíveis nas nossas posições, não acompanhamos o mundo. Como em tudo (ou quase tudo) na vida, temos de encarar as questões com equilíbrio e moderação e tentar captar os seus prós e contras. E se vivemos, neste como em muitos outros aspetos nos dias de hoje, um movimento irreversível (ou que pelo menos não somos nós, nem isoladamente, nem sequer em grupo, que conseguimos reverter), então não serve de nada pormo-nos aparte, tapar o sol com a peneira e fingirmos que ele não está a passar diante dos nossos olhos. Faz-me quase lembrar um outro meu cliente e bom amigo já de há umas duas dezenas de anos que continua a não ter telemóvel, só porque sim. Mas depois usa o e-mail, porque é claro que não gosta de viver no isolamento que é hoje o uso exclusivo do telefone fixo para a comunicação.

Há realmente completas tonteiras no Facebook. Noutras redes que frequento e uso menos, parece-me que a situação é idêntica. Está cheio de fake news (agora na moda), o que provoca uma distorção alargada e grave da verdade. Mas isso é no fim de contas uma versão moderna dos mexericos de café ou de cabeleireiro que outrora se passavam também nos bancos das praças das aldeias. Óbvio que é muito mau que sejam divulgadas tendências extremistas, racistas, xenófobas e de violência. Mas é só nas redes sociais? É um facto também que as pessoas dizem (ou melhor, escrevem) nas redes sociais o que nunca teriam coragem de dizer publicamente, ou sequer individualmente, diretamente na cara de ninguém. E que se geram confusões por más interpretações do que se escreve: ou porque se escreve sem pontuação, ou porque se escreve mal ou tão-só porque a escrita não tem entoação e quem lê não entende se nos expressamos com ironia, sarcasmo, raiva ou por simples e inofensiva brincadeira…

Mas também têm e muito a parte positiva. Para além da divulgação de negócios e atividades que podemos promover sem custos por vezes incomportáveis por outros meios, é uma forma de transmitir e divulgar opiniões e iniciativas cidadãs que não têm eco nos órgãos de comunicação social, muitas vezes por interesses nacionais ou locais mais ou menos encapotados. Só por isto, já vale a pena existirem.

Tal como o Mundo, a redes sociais são também feitas de homens e mulheres, o que quer dizer que muito têm de bom e muito têm de mau. Claro que não são perfeitas. E é só no Facebook e outras redes sociais que vemos arrogância, agressividade e falsidade?! Ou é na vida humana nas suas diferentes facetas?!

Francisco Mendes

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