Casa do campino em Santarém acolhe o mais antigo e relevante festival nacional de gastronomia

Festival Nacional de Gastronomia

Em Opinião

Comecei a ir ao Festival Nacional de Gastronomia creio que logo nos seus primeiros anos, se não mesmo no primeiro que foi em 1981. Tinha 18 ou muito pouco mais anos. Na altura, a minha ligação ao concelho de Santarém passava só por os meus pais serem de Almoster e ali passarmos férias desde que me lembro de ser gente.

A ideia que me ficou desde sempre nas visitas a este certame foi de que era muito caro para aquilo que se comia, quer em quantidade quer em qualidade. Lembro-me de em certo ano que não sei precisar, mas ainda da época do escudo, portanto há vinte anos ou mais, ao tentarmos poupar na refeição de um grupo de 4 amigos, partilharmos uma alheira e uns petiscos adicionais. Só pela alheira, o registo ficou, pagámos 800$00, o que seriam hoje 4 €. Era um completo exagero na época…

E esta perceção de preços acima do razoável ficou-me e foi-se consolidando de ano para ano, desde os tempos do início da maioridade, em que o meu dinheiro não abundava e que nestes gastos tinha de dar para mim e para mais alguns amigos, passando pelos tempos em que a vida não oferecia grandes dificuldades financeiras, continuando ainda hoje, altura em que o dinheiro é bem contado e os gastos têm de ser bem comedidos.

Se no passado de há mais de 20 anos sentia o que se passava por Santarém, mas sem a preocupação da proximidade não fazia qualquer análise mais profunda das coisas, hoje, para o bem e para o mal, gosto e tenho de fazer uma abordagem das situações bem mais objetiva e detalhada e não só nem sobretudo baseada no meu eu, nos meus problemas ou nas minhas dificuldades pessoais.

Será que um festival que, entretanto, viu nascer à sua volta, nos concelhos limítrofes e outros, milhentas tasquinhas, muitas vezes de muito boa qualidade e preço razoavelmente acessível, mesmo que de cariz mais local, não tem de inovar, mudar, fazer ressurgir mais?

É verdade que todos os anos vemos mudanças organizativas e ouvimos anunciar várias outras para o Festival Nacional de Gastronomia, mas o facto é que, pelo menos aos olhos de um leigo no assunto, como neste caso sou, muito há a melhorar num evento que continua a ter um enorme potencial e tem conseguido manter o destaque que ao longo dos anos conseguiu granjear.

Não fica bem por exemplo que, pelo menos alguns restaurantes, tenham uma pessoa à entrada a angariar clientes, pressionando de alguma forma quem vai com destino a outro restaurante ou tasquinha ou que pagou o seu bilhete para dar só uma volta pelo Festival. Sei que isso se passava na antiga Feira Popular de Lisboa e que se passa ainda por exemplo na Rua do Coliseu, também em Lisboa, e ainda noutros locais. Mas não nos devemos comparar com os maus exemplos…

A organização do certame não devia permiti-lo, como não devia permitir que os preços continuassem incompreensivelmente elevados. Talvez o incompreensível aqui não seja o termo mais indicado, pois certamente que os donos dos restaurantes se veem impelidos a estes e outros estratagemas para fazer frente aos elevados preços dos espaços que ocupam e à redução do número de visitantes que se tem verificado.

Mas tudo isto é tipo “pescadinha de rabo na boca”: quanto mais caros são os preços à medida que se reduzem as doses, menos gente visita o evento e quanto menos gente aparece, mais os empresários têm de fazer para tirar o necessário rendimento da sua presença no certame.

Só mais uma achega para terminar: fará sentido que as entradas sejam pagas?!

Este é mais um assunto que a Câmara Municipal deve repensar e discutir com os munícipes e diferentes instituições públicas e particulares. Não há certamente quem em Santarém não queira que o Festival Nacional de Gastronomia continue e esteja cada vez com mais fulgor no mapa dos eventos em Portugal…

Francisco Mendes

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