“História Libidinosa de Portugal”, de Joaquim Vieira, conta como o sexo influenciou Portugal ao longo dos séculos

Em Ribatejo Cool

Como é que o sexo, o desejo, o adultério e as paixões secretas dos nossos líderes influenciaram a História de Portugal ao longo dos séculos? A resposta é dada pelo jornalista e ensaísta, Joaquim Vieira, no livro “História Libidinosa de Portugal”, que a Oficina do Livro edita na próxima terça-feira.

“História Libidinosa de Portugal” aborda questões complicadas como a sucessão dinástica e a extraconjugalidade na evolução de um país que deve as suas origens mais remotas ao adultério de um soberano de Leão e Castela e que foi oferecido como dote a uma bastarda real.

Num registo solto, mas rigoroso, o autor recorda o mistério sobre a filiação de Afonso Henriques, as acusações de bigamia contra Afonso III, o amor incendiário de Pedro I e Inês de Castro, a predileção por freiras de João V, as aventuras homossexuais de João VI ou os rumores sobre o lesbianismo da rainha D. Amélia.

Com a instauração da República, o sexo perdeu importância para o regime, mas continuou a confundir-se com os assuntos de Estado. O presidente Manuel Teixeira Gomes ficou conhecido como apreciador de ninfetas e rapazinhos; Salazar, celibatário com fama de casto, manteve várias ligações românticas longe dos olhares públicos; Sá Carneiro e Snu Abecassis protagonizaram uma história de amor que desafiou os bons costumes da época; José Sócrates viu a sua intimidade cair na praça pública quando rebentou o maior escândalo da democracia portuguesa.

“Cuida este livro da influência do sexo na História de Portugal. Poderá o leitor desprevenido achar o tema especulativo ou mesmo sensacionalista, mas o assunto é mais sério do que à primeira vista se pensará. Situações houve em que a própria existência de Portugal esteve em risco, sendo o país salvo apenas porque, in illo tempore, o sexo extravasou, providencialmente, para lá dos limites matrimoniais. Pelo meio, houve também práticas incestuosas e pedófilas, porque as razões de Estado assim aconselhavam e deviam ser obedecidas. Com o advento da República, a contribuição da libido para o curso da História deixou de ser determinante, mas mesmo assim houve, por parte de alguns detentores do poder, episódios de atração sexual menos conformes às normas sociais dominantes, e por isso dignos de registo, tanto mais que, em certas circunstâncias, poderão ter tido implicações nos negócios públicos. O que aqui se descreve é pois uma panorâmica global da nossa história sob a perspectiva luxuriosa, dos muitos momentos em que amor e sexo se confundiram com os assuntos de Estado, ou, não se misturando, daí podem na mesma ter resultado consequências para a vida colectiva.” Joaquim Vieira, na introdução.

Jornalista, ensaísta e documentarista, Joaquim Vieira ocupou cargos directivos no Expresso, na RTP e na Grande Reportagem, tendo sido provedor do leitor do Público. Assinou a coleção em 10 volumes, “Portugal século XX – Crónica em Imagens”, e dirigiu uma série de 18 fotobiografias de personalidades portuguesas do século XX. Entre outros títulos, escreveu “Mário Soares – Uma Vida”, “Álvaro Cunhal – O Homem e o Mito”, “A Governanta – D. Maria, Companheira de Salazar”, “Francisco Pinto Balsemão – O Patrão dos Media que Foi Primeiro-Ministro” e “José Saramago: Rota de Vida – Uma Biografia”. Está a terminar um documentário sobre Natália Correia.

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