Há oposição em Santarém?

Em Opinião

Santarém é um concelho adormecido em termos políticos e sociais. Não sei se esta particularidade é comum em muitos outros concelhos, mas se isso se confirma, fico ainda mais intrigado com o comportamento das organizações políticas e das próprias pessoas. Na verdade preocupa-me a passividade e o conformismo, a leveza dos pensamentos, a futilidade do seu viver e a falta de ambição coletiva e de solidariedade social. Apesar de existir sempre quem reme contra a corrente, isso representa muito pouco para o que se esperaria da intervenção cidadã depois de Abril de 74.

Na nossa cidade as perplexidades são muitas e as pessoas interrogam-se como podem políticos sem perfil, mal assessorados e sem nada que o justifique, continuar à frente de uma capital de distrito com tanto potencial e que não descola deste completo estado de indigência social, desportiva, cultural e urbana.

Estaria a ser injusto se, reconhecendo o atual estado das coisas, houvesse algo que nos fizesse ter alguma esperança no futuro. Se existisse um plano estratégico a médio ou longo prazo, onde fosse mostrado um rumo e uma linha de ação credíveis. Isso já nos daria alguma luz sobre o que poderia vir a ser Santarém num futuro não muito longínquo.

Mas não. Não existe futuro planeado e parece que ninguém se importa. Deixa andar. O próximo eleito que abra a luz… Deve ser a base do pensamento dos atuais edis.

O que fazem os partidos entre eleições?

As forças políticas do recinto são também esse reflexo e embarcam na bonomia e no nacional porreirismo do Presidente, sendo depois trituradas nas eleições.

Os partidos políticos em Santarém só acordam e reagem a poucas semanas dos atos eleitorais. Antes disso parece que não existe oposição fora dos locais institucionais, ou seja na Sessão de Câmara e na Assembleia Municipal. Aí, vão cumprindo os mínimos e lá vão dando umas raras bicadas na monotonia das sessões, o que não belisca, nem um bocadinho, a postura e imagem pública do executivo.

Fora desses areópagos de discussões fúteis e de finais sempre felizes para a maioria, aonde é que se manifestaram as oposições sobre casos concretos passados no Concelho? Em conversas de café? Não chega.

Quem viu publicadas as posições públicas do PS, do PCP, do BE, ou do CDS, sobre, por exemplo, a localização da nova Casa Mortuária, ou sobre o que se passou (e passa) no Mercado, ou a situação do Campo Emílio Infante da Câmara, ou do ex-Presídio, ou na ex-EPC? Que posições têm os partidos sobre a localização prevista para a Loja do Benfica? E Rodoviária? Todos estes são assuntos de comentário público e transversais a todos os scalabitanos. Mas parecem sere tabu para a oposição.

Se os partidos fazem por representar os munícipes, com todas as suas sensibilidades, anseios e necessidades, não seria suposto uma reação pública a cada decisão ou ação do executivo e até à sua passividade, em relação a assuntos que os afetem direta ou indiretamente?

Fazemos uma visita às páginas regionais de Internet dos partidos e nem um tema relacionado com os problemas de Santarém. Nem um comunicado, ou informação, sobre um qualquer tema local. Não há opinião nem critica publicados.

O resultado das eleições será o reflexo da sensibilidade e do conhecimento adquirido pelos eleitores. Não só dos programas partidários e da perceção dos seus pontos fortes, mas principalmente dos erros, insuficiências, incumprimentos e malfeitorias do poder atual, bem como das respetivas alternativas propostas.

Se tal não se fizer vamos ter mais do mesmo por muitos mais anos e Santarém continuará a definhar, como até aqui.

Armando Leal Rosa

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