Conclusões do projeto EntoValor apresentados na EZN em Santarém – Insetos na alimentação animal tornam setor mais sustentável

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As conclusões do projeto EntoValor vão estar em debate no próximo dia 22 de novembro, na Estação Zootécnica Nacional de Santarém.

O projeto EntoValor, após 40 meses de trabalho focados no papel dos insetos na economia circular aplicada ao setor agroalimentar, realiza no próximo dia 22 de novembro o seu evento final. O encontro irá começar pelas 9h na Estação Zootécnica Nacional, Quinta Fonte Boa – Fonte Boa 2005-048 Vale de Santarém.

O projeto EntoValor demonstra que a introdução de insetos permite manter um setor agroalimentar a funcionar através de uma reconversão economicamente favorável e com melhorias em termos de sustentabilidade ambiental bastante significativas. Outra das conclusões aferidas é que é possível comer de forma saudável e tradicional respeitando o meio ambiente.

O EntoValor teve a duração de três anos e um investimento associado de 750 mil euros. O projeto foi liderado pela EntoGreen e por mais três empresas: Consulai, Rações Zêzere e AgromaisPlus e teve como parceiro de I&D o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P.). O objetivo deste projeto foi promover a economia circular, uma vez que incidiu na utilização de subprodutos das agricultura e agroindústria para a produção das larvas, que depois de biodegradados serão posteriormente usados como fertilizantes orgânicos.

Com a implementação deste projeto foi possível produzir carne e ovos com um menor impacto ambiental, graças à aplicação de processos de valorização de subprodutos que permitem maximizar a utilização dos recursos e gerar novas oportunidades de negócio para o setor agroalimentar, em particular para as zonas rurais.

Neste sentido, foi possível substituir totalmente o bagaço e óleo de soja por insetos na alimentação de galinhas poedeiras, sem que se verifiquem alterações produtivas ou no sabor dos ovos. Também nos frangos foi possível substituir parcialmente na sua alimentação, o bagaço e óleo de soja por insetos sem que tal afete a produtividade e a qualidade da carne. Importa referir que 95% do bagaço de soja é importado, desta forma Portugal conseguirá reduzir a sua dependência do mercado internacional.

Daniel Murta

Segundo Daniel Murta, Fundador da EntoGreen: “As regras para uma alimentação sustentável passam por consumir com moderação, de fonte local e de produtores que assegurem o natural ciclo dos nutrientes, maximizando a eficiência de utilização dos recursos naturais e o respeito pela natureza. Com o projeto EntoValor conseguimos verificar que é possível tornar a nossa agricultura sustentável sem com isso acabar com setores de atividade considerados tradicionais, mantendo a qualidade dos nossos produtos e o respeito pelo meio ambiente”.

Importa lembrar que mais de um milhão de toneladas de alimentos são desperdiçados todos os anos em Portugal e que a utilização de insetos na conversão de desperdícios nutricionais (subprodutos vegetais) permite criar fontes nutricionais alternativas para animais, principalmente proteicas, e novas fontes nutricionais para as plantas, fertilizantes orgânicos. Este processo permite gerar produtos finais de elevado valor nutricional e económico.

Por outro lado, a utilização destes fertilizantes orgânicos nas culturas permite reduzir a utilização de fertilizantes químicos e minerais, responsáveis pela contaminação das águas e lençóis freáticos. Assim, os fertilizantes orgânicos contribuem para melhorar a saúde do solo, favorecendo a sua estrutura, a fixação de água e a atividade de microrganismos benéficos.

Proteínas à base de insetos podem ser resposta para melhorar sustentabilidade do setor dos animais de companhia

Este projeto distingue-se, por se tratar de um dos primeiros a ser implementado no território nacional a esta escala. A unidade fabril que a EntoGreen pretende construir com o know-how gerado no âmbito do projeto, será, portanto, uma das primeiras a serem implementadas no mundo, contribuindo desta forma, para o desenvolvimento económico da região e criando um setor produtivo e inovador no nosso país.

O EntoValor surgiu da carência de conhecimentos técnicos e científicos desenvolvidos, que permitissem a sua aplicação à escala industrial. Com este projeto foi possível o estabelecimento destes conhecimentos, através da realização de testes no terreno, da instalação de uma unidade piloto e de protótipos que possibilitem a valorização destes resíduos à escala industrial de uma forma eficiente.

Pelo exposto, os trabalhos desenvolvidos no decorrer deste projeto contribuíram para a transição para uma economia circular no setor agroalimentar que passa pela conversão de subprodutos vegetais, em matérias-primas secundárias, nomeadamente em novas fontes nutricionais para rações para animais e em fertilizantes orgânicos para os solos. Estes subprodutos são materiais de base biológica podendo apresentar vantagens ligadas à sua renovabilidade, biodigestão ou possibilidade de conversão.

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