Na desportiva

Em Opinião

As profissões do Desporto representam cerca de 1% do PIB português (clubes de futebol, ginásios, professores, etc) e formam-se por ano 3500-4000 licenciados em áreas desportivas.

Apesar do impacto (positivo) que o Desporto tem na Sociedade e no indivíduo, é também uma área em precariedade, especialmente para aqueles que a escolhem como profissão ou para aqueles que não podem usufruir dos seus múltiplos benefícios.

A regulamentação é praticamente inexistente nalgumas áreas. Os contratos escasseiam. Não há Sindicato de Treinadores, por exemplo. Não está definido se uma aula de surf é treino ou animação turística.

Apesar dos claros benefícios físicos, mentais e sociais, a Educação Física, enquanto disciplina, não existe de forma regular no Pré-escolar e no 1.º Ciclo. Apenas no 2.º Ciclo todas as crianças passam a usufruir desta disciplina de forma obrigatória.

Seria excelente que a disciplina pudesse começar logo no Pré-escolar. Para isso seria necessário que existissem professores que a leccionassem. Acontece que os Politécnicos perderam a capacidade de formar profissionais para leccionar Educação Física no Ensino Básico. Passou essa competência para as competências das Universidades.

Se um Politécnico tiver qualidade de formar esses profissionais, porque razão não o há-de fazer? Há que afinar a Lei de Bases da Educação!

No campo da Saúde, está previsto que os profissionais de Saúde podem prescrever programas específicos de exercício físico com análise de profissionais do Desporto. Desconheço locais onde isto ocorra realmente.

Todo este processo deixa-nos a pensar e a questionar.

É este o tratamento dado ao Desporto, quando sabemos os enormes benefícios que ele confere a quem o pratica?

Em português, fazer algo “na desportiva” é, nalguns contextos, sinónimo de menos profissionalismo ou desinteresse pelo resultado.

É já tempo de mudar essa mentalidade! No Desporto, nas Leis e no País!

André Arraia Gomes

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