Todos unidos para dar um safanão à gripe

Em Saúde

Em Portugal, os picos da gripe ocorrem geralmente no inverno. A prevenção da gripe precisa acima de tudo da vacinação e de um conjunto de cuidados de elevada importância higiénica, como seja: reduzir, tanto quanto possível, o contato com pessoas com sintomas de gripe; a lavagem frequente das mãos com água e sabão ou com uma solução à base de álcool; usar lenços descartáveis e ao espirrar ou tossir proteger a boca com um lenço de papel ou com o antebraço, sem utilizar as mãos.

Estamos a caminhar para o inverno, e quanto maior for o número de pessoas vacinadas, mais protegida se encontra a população. Em termos de Saúde Pública, a gripe adquire uma grande importância devido às complicações que origina, complicações de que são mais suscetíveis os doentes crónicos, aqueles que sofrem de doenças respiratórias ou broncopulmonares, os insuficientes renais, os diabéticos, e mesmo os imunodeprimidos (caso dos doentes com SIDA, com cancro, com leucemias e os transplantados); são ainda muito suscetíveis as pessoas com idade superior a 65 anos, os residentes em lares e instituições congéneres, as grávidas e crianças até 1 ano de idade. Obviamente que todos os profissionais de Saúde se devem vacinar.

A gripe é uma infeção causada por um vírus, que se altera muito de ano para ano, o que dificulta a existência de uma única vacina em todo o mundo. Daí o imperativo da vacinação anual. São hoje muito insistentes as campanhas a alertar o modo como se transmite a gripe, os seus sintomas e recordando que é um conjunto de pessoas que têm maior risco de complicações, pelo que é imperativo a vacina.

No passado, o farmacêutico era procurado aos primeiros sinais de suspeita de gripe, aparecia-se na farmácia com sintomas de mal-estar, febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça e tosse seca, olhos inflamados, entre outras manifestações, o farmacêutico avaliava o estado do doente, nos casos apreciados como mais ligeiros prescrevia medicamentos não sujeitos a receita médica e nos casos mais rebeldes orientava para o médico de família ou o centro de saúde. Agora tudo mudou, as farmácias dispõem de um serviço de vacinação, os farmacêuticos possuem certificados para administrar a vacina e a rede de farmácias está bem apetrechada (tem mais cem mil vacinas do que o ano passado). Recorde-se que no ano passado o vírus da gripe causou mais de 3300 óbitos em Portugal. Estamos a falar de uma doença que provoca mais de um milhão de dias de baixa por ano. Ora se a população fosse devidamente imunizada, pelo menos 70% dessas baixas poderiam ser evitadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu como meta uma taxa de 75% de cobertura vacinal da população de risco. O cumprimento desta recomendação fica, anualmente, muito aquém dos objetivos.

Recorde-se que por motivos de Saúde Pública, não é possível dispensar antibióticos sem receita médica. Por esse motivo, não deve pressionar o farmacêutico a dispensar antibióticos. É evidente que há complicações que requerem tratamentos com antibióticos (quando se trata de infeções produzidas por bactérias), mas compete ao médico essa responsabilidade na prescrição.

Mário Beja Santos

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