fbpx

É este o mundo que criámos?

Em Opinião

Como tantos outros, oiço Queen desde sempre. A voz de Freddie Mercury faz parte da memória colectiva da Humanidade, tornando-se companhia nas mais variadas situações.

Provavelmente, já contactámos mais tempo com a sua voz do que com a voz de alguns amigos ou familiares afastados.

Todos os anos, no dia 24 de Novembro, se recorda a sua morte em 1991.

Em ‘These are the days of our lives‘ podemos ver a sua última aparição em videoclips dos Queen, meses antes de morrer. Emagrecido, pálido, afirma que é uma pena o relógio não andar para trás.

Pensamento simples, mas tocante. Porque não anda o relógio para trás? Talvez para que nos esforcemos a fazer o melhor à primeira, a cada momento!

Na luta por um mundo justo, equitativo, de respeito e amor. Sem olhar a raça, origem, orientação sexual, estrato social.

Freddie Mercury é a super-estrela que surgiu a partir de um rapaz chamado Farrokh Bulsara, um refugiado que chegou a Inglaterra, fugido do conflito armado da sua Zanzibar/Tanzânia natal.

Todo este processo deixa-nos a pensar e a questionar.

O que acontecerá se optarmos pelo caminho da “Europa-Fortaleza”, racista e xenófoba, e voltarmos as costas aos Farrokh’s que pedem a nossa ajuda?

O que acontecerá quando o discurso de ódio contra a orientação sexual ou o desprezo pela classe trabalhadora se instalar definitivamente?

É que o Freddie Mercury que todos adoramos foi um refugiado, que veio para a Europa estudar design, trabalhar em armazéns como operário e era bissexual. O (enorme) talento musical levou-o ao nível que todos conhecemos.

Fruto daqueles tempos (e dos nossos) não há como deixar de perguntar: Como pode Freddie Mercury não ter recebido nenhuma condecoração por parte da Coroa Britânica, por exemplo?

De facto, a resposta foi dada logo no Live Aid 1985, de noite, quando Freddie subiu ao palco do Wembley pela segunda vez nesse dia. Vestido de branco, acompanhado por Brian May na guitarra clássica, perguntou aos céus “É este o mundo que criámos?” (Is this the world we created?)

André Arraia Gomes

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Recentes de Opinião

Interpretações

Nada mais doloroso será mais doloroso para os parentes da pessoa visada…

Ir para Início