Era uma vez uma velhinha que tinha a reforma muito baixinha…

Em Opinião

A velhinha vivia embrulhadinha na sua mantinha… Um dia a luz foi-se… A velhinha telefonou ao piquete a pedir a reparação da sua luzinha… Foi aqui que entrou a minha ação, na reparação da sua luzinha…

Acesa a luzinha a velhinha continuou embrulhadinha na sua mantinha… Veio o Vítor e perguntou-lhe se ela não tinha um aquecedor que a fizesse mais quentinha… Então a velhinha disse que sim, mas antes queria a sua mantinha pois ela não pagava nadinha na “faturinha” da luzinha…

Este caso verídico aconteceu no Choupal, aqui em Santarém, comigo, há uns anos. Na casa da senhora idosa havia efetivamente um aquecedor mas a velhinha tinha uma reforma baixinha pelo que poupava o mais possível na energia… “A luz é cara, senhor” disse-me…

A pobreza social acumula-se muitas vezes com outras pobrezas: cultural, afetiva, (…) energética. Sim o preço da energia é caro e muitas pessoas passam frio o inverno. Toda a retórica de que a introdução da concorrência viria a baixar o preço da energia revelou-se falso – PS, PSD e CDS já sabiam que era falso quando decidiram privatizar a EDP e destruir o serviço público.

Foram os acionistas privados a ganhar com a privatização de uma empresa que não podia ser controlada pelo Estado português mas pode-o ser pelo Estado chinês. A energia elétrica tem tido um progresso tecnológico notável em todo o mundo – reduzindo-se imensamente o tempo de trabalho necessário para efetuar as mesmas tarefas e introduzindo inovações que tornaram residuais as falhas de energia. O aumento da rentabilidade, a redução imensa dos custos de distribuição, a facilidade na comercialização em nada beneficiou financeiramente o consumidor.

Os lucros de todas as grandes empresas do setor energético tornaram-se astronómicos, tal como o são os salários das administrações e suas elites.

Eles comem tudo e não deixam nada” poderia ser uma imagem daquilo que se passa na energia. Acresce que a energia é um serviço público essencial às pessoas, como serviço público a energia deve ter um iva de 6% e não de 23%.

A medida de aumento para 23% foi decidida em agosto de 2011 e aplicada em outubro pelo famigerado ministro Vítor Gaspar, governo PSD/CDS; permitiria ao Estado arrecadar “cerca de 100 milhões de euros” ano – segundo Vítor Gaspar.

À recente proposta de voltar a reduzir o iva António Costa reagiu dizendo ser “muito cedo”, admitiu que “todos” querem diminuir os custos energéticos mas que é preciso “escolher prioridades”. Vale então lembrar a António Costa que foi o próprio PS que em 2015 propôs a redução do iva da energia.

Num tempo em que Mário Centeno anuncia para 2020 não um défice mas um excedente de 0,2%, resta saber se as prioridades do governo não passam por uma das medidas que mais podem ajudar a economia das pessoas e das empresas.

Vale então lembrar a António Costa se quer continuar a injetar dinheiro em bancos desfalcados pelos acionistas e pela má gestão ou se a prioridade pode passar a ser as pessoas?!

Vale então lembrar a António Costa se não é tempo de deixar a retórica e passar à prática de uma política mais social. Afinal é assim tão difícil diferenciar-se de Passos Coelho e Vítor Gaspar?

Vítor Franco

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