Ululante

Em Opinião

O espectáculo propiciado pelas televisões portuguesas relativamente à conquista da Taça Libertadores da América, na América Latina, pelo Flamengo do Rio de Janeiro, é pura e simplesmente ululante. Digno do rei UBU, pacóvio, parolo, terceiro-mundista, uma torpe manifestação de ridícula manifestação de menoridade intelectual. Só porque um português é o treinador do clube, o polémico Jorge Jesus, o qual a partir de agora atinge a aura de herói da cidade carioca, cidade do crime, da insegurança, do choque quotidiano.

Os brasileiros do Flamengo comemorarem a dupla vitória é absolutamente normal, fazerem um carnaval no país do Carnaval (Jorge Amado) não nos pode causar surpresa, agora as nossas televisões ficarem histéricas é desaforo a envergonhar todos quantos têm a noção da desmesura praticada na ânsia de cada canal obter mais umas décimas de audiência. A televisão pública, suportada por todos, suportada duplamente, nos custos e na berraria envernizada da propaganda estatal, até conseguiu exceder as restantes.

Pode-se tecer uma ampla manta de argumentos a defender a cacafonia exultante dos fundamentalistas de futebol, não se pode é proceder a uma lavagem ao cérebro da totalidade da população portuguesa só porque o futebol é o desporto-rei, lavagens desse género sofremos no período da Ditadura, o tempo de futebol, Fátima e fado.

Não podemos ignorar o fenómeno do futebol enquanto espectáculo, máquina de apaziguamento das multidões, gigantesca teia de negócios envolvendo interesses díspares, vários a acabarem nos tribunais e cadeias. No entanto, manda o decoro, não extravasar os limites do bom senso. Até porque tudo ó que é demais é moléstia!

Armando Fernandes

PS. A novela em torno da deputada que não dispensa a senhoria da senhora está a começar, os próximos quatro anos vão ser divertidos. Não há volta a dar-lhe. O Livre não se livra da criatura.

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