Santarém no mapa da Linha do Norte?!

Em Opinião

Em janeiro de 2019, o Governo deu a conhecer o Plano Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030), que se refere aos grandes investimentos estratégicos no país, a concretizar no período entre 2020 e 2030.

Para a elaboração deste plano, pediu a colaboração dos municípios. Em Santarém, a Câmara Municipal quis, e muito bem, recolher os contributos das diferentes forças políticas com assento na Assembleia Municipal que, entre muitas outras propostas na generalidade não acolhidas pelo Governo, propuseram o desvio da linha do Norte, que foi contemplado no referido PNI 2030.

Está este plasmado no “Programa de reforço da capacidade e aumento de velocidades no eixo Porto-Lisboa” do Plano que tem por objetivo “reduzir o tempo de trajeto entre Porto e Lisboa, aumentando a qualidade dos serviços de longo curso e libertar a capacidade na linha do Norte para o tráfego suburbano e de mercadorias”.

A intervenção que nos diz respeito surge como “Construção da variante e aumento da velocidade máxima de circulação entre Santarém e Entroncamento”.

Na reunião de Câmara do passado dia 18, o presidente Ricardo Gonçalves afirmou que a Infraestruturas de Portugal diz que o corredor definido para o novo traçado em 2008 não pode ser incluído na planta de condicionantes do novo Plano Diretor Municipal (PDM). A ser assim, a autarquia poderá e deverá aprovar construções na zona que depois poderão ter de ser demolidas, se a obra avançar…

Será que se trata só de uma injustificável falta de comunicação entre organismos estatais?! Ou estão a prever um adiamento da obra que ficará lá para as calendas gregas, como foi decidido em troços de linhas ferroviárias noutros locais?! Ou a coisa será ainda bem mais grave para nós e isto quererá dizer que há movimentações a serem bem sucedidas para que a alteração do traçado seja mais radical, seguindo mais a direito no eixo norte-sul e beneficiando Fátima e Leiria e que Santarém venha a ficar completamente afastada sequer das proximidades?!

A alteração do traçado da linha do Norte, deixando de passar junto a Alfange e à Ribeira é essencial para Santarém, primeiro pelo risco de derrocada das encostas que a passagem dos comboios acarreta e depois pela barreira que a linha impõe ao uso do Tejo pelos scalabitanos, certamente em grande parte bem responsável por continuarmos de costas voltadas para este grande rio que passa mesmo aqui aos nossos pés. Mas o afastamento da linha do nosso concelho, significaria ainda muito mais o adormecimento de Santarém, já agora muito pouco acordada…

Entretanto, a Associação Mais Santarém – Intervenção Cívica já anunciou no recentemente publicado n.º 2 do seu boletim INTERVIR que vai debater este assunto no próximo ano. Mas não basta, todos temos de nos interessar por esta questão, pela concretização do desvio da linha, mas de forma a este não ser acompanhado de uma mudança de traçado que deixe Santarém fora do mapa.

Que não aconteça acordarmos um dia e tudo já estar decidido e em vias de concretização! Lembram-se do que aconteceu com a Escola Prática de Cavalaria?

Francisco Mendes

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