Brincando com os mortos! Ou será com os vivos?!…

Em Opinião

Em junho do ano passado, já lá vai mais de um ano, a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal de Santarém aprovaram a construção do Crematório junto ao atual cemitério, o Cemitério dos Capuchos, local onde se encontra hoje a ser construído. Eu e outros deputados municipais votámos contra, vencidos, por considerarmos que o adequado seria a construção de um novo cemitério com maior capacidade e melhores acessos e assim o crematório deveria ser projetado para esse mesmo novo local.

Com a aprovação do Crematório junto ao atual cemitério e cedendo a sua exploração por 30 anos, como aconteceu, a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal afastaram qualquer possibilidade futura de concretizar um complexo moderno que integrasse todos os serviços funerários.

Sendo agora factos consumados a não construção de um novo cemitério e a construção do crematório onde está a ser edificado, impõe a lógica e o bom-senso que a nova Casa Mortuária, que urge erigir, se localize nas imediações.

Mas não, o atual executivo camarário não pára de nos surpreender…

Primeiro, no início deste ano, surge a primeira ideia sem sentido de construir a Casa Mortuária no antigo Bairro 16 de Março, na Rafôa.

Uma Petição Pública com mais de 600 assinaturas contra esta intenção fez com que esta ideia fosse afastada. Os evidentes argumentos dos peticionários passavam pelos problemas de circulação e estacionamento na zona e por a distância do local ao cemitério ser grande, cerca de 3 km, tendo os cortejos fúnebres de passar pelo centro provocando óbvios e desnecessários congestionamentos de tráfego.

Agora, vêm com uma nova escolha, ao que parece já efetiva: construir a nova Casa Mortuária na zona da antiga Capela de São Pedro…

Vamos de mal a pior! As desvantagens são equivalentes ou até superiores, dado, por exemplo, a distância ao cemitério ainda ser maior…

Não ouvem as pessoas, não ouvem os técnicos experimentados que sabem dos assuntos. Ainda no passado dia 26 houve um debate em que, entre muitos outros cidadãos, estiveram presentes as agências funerárias da cidade, a Diocese, arquitetos e outros conhecedores do tema (a Câmara Municipal foi convidada, mas não se fez representar) e foi consensual o óbvio: a Casa Mortuária deve ser junto ao cemitério.

Mais uma decisão tomada em cima do joelho, mais uma decisão avulsa, mais uma escolha não planeada e não integrada.

Sabe-se da urgência de retirar as Capelas de onde estão, junto às Portas do Sol, para se poder avançar com as previstas obras de requalificação da Avenida 5 de Outubro e do Largo da Alcáçova. Mas não houve tempo de pensar este assunto capazmente? Fala-se dele há anos e sabe-se que é urgente há anos…

Há várias alternativas de construção da Casa Mortuária nas imediações do Cemitério dos Capuchos que já foram sugeridas à Câmara Municipal, algumas mesmo sem custos para o Município, como comprovam as opiniões de técnicos conceituados e bem conhecedores da cidade e do tema.

Haja Deus!…

Francisco Mendes

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