Colóquio sobre Marcelino Mesquita encerra comemorações do centenário da sua morte

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O Centro Cultural do Cartaxo encheu, no passado dia 30 de novembro, para assistir ao Colóquio “Construção da Memória”, que encerrou as comemorações do centenário da morte de Marcelino Mesquita.

O presidente da Câmara Municipal, Pedro Magalhães Ribeiro, enalteceu o percurso de vida de um homem da cultura que deixou nos cartaxeiros o gosto pelas artes em geral e pelo teatro em particular.

António Miguel Marques Ferreira, sob o pseudónimo Augusto Severo, venceu a primeira edição do Prémio Literário Marcelino Mesquita por decisão unânime do júri.

No Colóquio, foi feito o lançamento do livro “duas peças do espólio de Marcelino Mesquita”, cuja apresentação coube aos comissários que participaram na sua edição.

No encerramento do Colóquio, a vereadora Elvira Tristão, responsável pelo pelouro da Cultura, destacou o papel da Comissão Organizadora do ciclo evocativo e afirmou estar certa de “que hoje saímos daqui mais conhecedores da vida e da obra do dramaturgo e com isso da nossa própria história coletiva”

O Colóquio “Uma construção da Memória”, que aconteceu na tarde do passado dia 30 de novembro, no Centro Cultural do Cartaxo, marcou o encerramento das comemorações do centenário da morte de Marcelino Mesquita.

Na abertura do Colóquio, perante a plateia que encheu a sala para ouvir falar de um dos mais célebres cartaxeiros, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Magalhães Ribeiro, agradeceu a presença de todos, especialmente à vereadora Elvira Tristão e a toda a Comissão Organizadora das Comemorações, “gente de boa vontade que, de forma voluntária, ofereceram o melhor de si, daquilo que é o seu trajeto de conhecimento, académico e profissional, e deram isso à nossa terra”.

Destacando a importância da “envolvência da comunidade à volta de um criador, de um homem de cultura”, Pedro Magalhães Ribeiro manifestou o desejo de que todo o conhecimento partilhado sobre Marcelino Mesquita, resultado de todo o trabalho da Comissão, possa “ser suficientemente estimulante para que as gerações mais novas conheçam esta grande figura e possam dar continuidade a este extraordinário trabalho”.

Recordando Marcelino Mesquita como “um nome incontornável da nossa terra, do nosso país, no mundo do teatro”, o presidente da Câmara enalteceu “o seu extraordinário trabalho de sementeira” que continua a dar frutos, visíveis na “forte dinâmica associativa, que mesmo em tempos de dificuldades financeiras se manifesta na existência, em quase todas as nossas freguesias, de grupos ou espetáculos de teatro”.

“No interior dos contornos” vence Prémio Literário Marcelino Mesquita

Pedro Magalhães Ribeiro saudou também todos os participantes do Prémio Literário Marcelino Mesquita, cujo vencedor foi mais tarde anunciado pela vereadora Elvira Tristão.  A antologia de poemas “No interior dos contornos”, de António Miguel Marques Ferreira, sob o pseudónimo Augusto Severo, venceu esta primeira edição do Prémio por decisão unanime do júri composto por Ana Luísa Vilela, Vítor Santos e pela vereadora Elvira Tristão.

Citando a fundamentação do júri relativamente à atribuição do prémio, Elvira Tristão destacou “o universo poético caracterizado pela solidez e coesão temática, a sua maturidade e fluidez de expressão lírica, a sua riqueza, vocabulário e métrica, e o seu amplo espectro emocional, que vai da veemência ao sarcasmo”.

No seu discurso, a vereadora agradeceu também ao vencedor por ter possibilitado, “nesta primeira edição do prémio, que lhe possamos atribuir uma dimensão nacional, uma vez que não pertence ao concelho do Cartaxo”.

António Miguel Marques Ferreira, que verá a sua obra vencedora publicada em 2020, subiu ao palco para agradecer ao Município e aos envolvidos na organização deste prémio “pelo facto de olharem para a cultura de olhos bem abertos, facto que não se passa em muitas outras autarquias”.

Sobre o patrono deste prémio, o vencedor disse esperar que a sua memória “possa servir de inspiração para quem quer fazer da vida uma casa mais habitável. A vida deve ser mais do que uma peça em três atos. Não se pode resumir a nascer, crescer e morrer! Devemos exigir da vida memória. Só assim a nossa casa não passará despercebida no mapa do nosso mundo”.

A vida e a obra de Marcelino Mesquita

Ao longo da tarde, foram três os painéis que abordaram a vida e a obra de Marcelino Mesquita partindo de diferentes perspetivas, de viva voz ou recorrendo a apresentações recheadas de fotografias que fizeram os presentes recuar no tempo.

Zelinda Pego, que privou com a família de Marcelino Mesquita, contou episódios familiares da famosa Quinta da Ribeira, em Pontével, onde o autor viveu e escreveu grande parte das suas obras. Pedro Gaurim Fernandes conduziu o público pela história da famosa estátua de Marcelino Mesquita, desde o surgimento da ideia, passando pelo processo de recolha de fundos, pela escolha do autor e pela sua construção.  Maria Isabel João fez uma apresentação sobre “Os homens ilustres e a construção das memórias sociais”, encerrando o primeiro painel moderado por António Filipe Rato.

No segundo painel, moderado por Maria Manuel Simão, Duarte Ivo Cruz e Vítor Pavão dos Santos continuaram a evocação de Marcelino Mesquita no centenário da sua morte, com especial incidência na sua faceta de dramaturgo.

O terceiro painel contou com Maria Manuel Simão, Ana Carina Azevedo e Vítor Madeira Santos, que apresentaram o livro “Duas peças do espólio de Marcelino Mesquita”, abordando as peças, o seu conteúdo e as surpresas com que se depararam na elaboração deste livro.

Encerramento das Comemorações

No encerramento do Colóquio e das Comemorações do Centenário da Morte de Marcelino Mesquita, a vereadora Elvira Tristão reiterou o agradecimento “a todos os que contribuíram para o reconhecimento de uma figura da nossa história, da nossa literatura, da nossa cultura, da nossa política”.

Sendo Marcelino Mesquita um nome conhecido de todos os cartaxeiros, “faltava ainda dar a conhecer o que fez, o que escreveu, os valores que defendeu, para que saibamos todos e em especial as gerações mais jovens e vindouras porque é que é uma figura de referência”, algo que foi possível aprofundar com “o trabalho desenvolvido pela Comissão Organizadora deste ciclo evocativo”.

“Mas”, afirmou Elvira Tristão, “esta evocação não estaria completa se não tivesse um propósito maior, o de promover a literatura, a leitura, a escrita literária, o teatro, as artes e também a cidadania ativa”. Para isso, o grupo envolvido neste ciclo “lançou o Prémio Literário Marcelino Mesquita, apresentou e publicou as duas peças do espólio do autor” e, numa tentativa de aproximação aos mais jovens, “lançou um concurso aos alunos das turmas de artes da Escola Secundária para que propusessem um rótulo para uma garrafa de vinho, evocativo do autor, e propôs aos professores da escola EB 2,3 Marcelino Mesquita que fizessem a leitura de textos dos Contos na Azenha”.

A Comissão concebeu e organizou também uma exposição, ainda patente na Biblioteca Municipal, com o título deste Colóquio, “Uma Construção da Memória” e “deu mais dignidade ao túmulo da família de Marcelino Mesquita, até este ano entregue ao anonimato, e onde agora podemos ver as suas palavras sobre o que representa a sua terra”.

Ao longo deste ano evocativo foi ainda possível assistir às peças “Um episódio da guerra”, pelo Kaspiadas, o grupo cénico da Casa do Povo de Pontével, e “A berlinda”, pela Universidade Sénior do Cartaxo. Foi também possível ver os candidatos ao concurso do rei e rainha das vindimas do concelho do Cartaxo apresentarem provas de palco sobre Marcelino Mesquita.

Este ciclo evocativo, recheado de iniciativas, terminou neste Colóquio, “para recuperar muitas das coisas que foram feitas ao longo deste ano e muito do conhecimento que foi sendo produzido sobre Marcelino Mesquita”, “na certeza de que hoje saímos daqui mais conhecedores da vida e da obra do dramaturgo e com isso da nossa própria história coletiva”.

A vereadora terminou o seu discurso relembrando todos os elementos da Comissão que tornaram possível a realização desta evocação. Conheça a Comissão aqui

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