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Morgue, Mercado e Rodoviária: Santarém em morte cerebral

Em Opinião

A Morgue

Um executivo que responde a uma petição dos munícipes sobre a má localização da futura Casa Mortuária, desistindo dessa opção e logo anuncia uma segunda localização que ainda agrava mais todos os inconvenientes da primeira, pode dizer-se que é um executivo que está com e que compreende os seus munícipes? Passar do Largo 16 de Março para S. Pedro, não é gozar com a cara de todos nós? Ou os negócios com a Diocese é que marcam a agenda do Presidente? Cortejos fúnebres que percorrem mais de 5 Km e que atravessam as principais vias da cidade, dificultando o trânsito e deixando uma enorme pegada de CO2. É esta a opção de um Executivo sem credibilidade, sem responsabilidade e que até se diz amigo do ambiente.

O Mercado

Sabe-se que o processo e o negócio do Mercado Municipal sempre tiveram a Sonae no meio. E agora confirma-se, não por via oficial, que a Sonae já anda a preparar tudo para lá instalar um Continente Bonjour com superfície máxima de 1500 m2 e com várias lojas e restaurantes agregados. Parece que o que se previa razoável irá ser completamente desvirtuado. Iremos ter mais uma grande/média superfície, agora no Centro Histórico, para servir “meia dúzia” de moradores, em que se descartam os antigos comerciantes e que, sem estacionamento gratuito, não se lhe augura grande futuro. Mais uma ajuda ao comércio tradicional? Esperemos por Agosto.

A Rodoviária

Veio a público e isso já é oficial, que a Rodoviária, que no início parece que teria lugar na antiga EPC, agora irá ser construída no Campo Emílio Infante da Câmara. Este processo advém de um estudo de mobilidade feito pela Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) que conclui da urgência da deslocalização da Rodoviária do local onde se encontra face ao movimento de mais de 400 autocarros diários na Av. do Brasil e do espaço interior das atuais instalações ser pequeno e com poucas condições. Há alguns anos que este estudo está concluído e a CIMLT tem prazo apertado para lançar o concurso internacional. Quando existiu tanto tempo para planear uma localização estudada, eis que se atamanca um dos principais equipamentos estruturais de uma cidade num espaço arranjado à pressa e que não estava vocacionado para tal. Esperemos que, antes disso, haja plano integrado para o Campo da Feira e Av. Afonso Henriques.

Perante estes três dislates previstos a curto prazo, para já não falar de outro igualmente aberrante que é a localização da Loja do Benfica que aí vem, confirma-se que em Santarém, o único reino é o da arrogância, da irresponsabilidade e da incompetência, que cada vez vai tornando mais desfigurada esta bela cidade, sem respeito pela sua história e pelos seus habitantes.

Em Santarém mexe-se pouco e pensa-se zero. É a morte cerebral.

Manuel Rezinga

mrezinga@gmail.com

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