Clamorosa injustiça

Em Opinião

Na edição do dia sete de dezembro do “Público”, na secção cartas ao Director, vem uma assinada por Jorge Morais, onde este se insurge contra uma sentença de um juiz da comarca do Porto, por condenar um indivíduo a pena suspensa por ter cometido o horripilante crime de torturar um bebé, de dois anos de idade, queimando-o nos olhos e plantas dos pés com um cigarro, pontapeando-o nos órgãos genitais e provocando-lhe hematomas em todo o corpo.

A leitura da carta provocou-me dupla raiva, dupla fúria e o desejo de ver o facínora castigado severamente como justificadamente merece. No entanto, a raiva, a fúria cresceu e cresce quando penso na insensibilidade do juiz ante a monstruosidade cometida contra aquele ser indefeso, aquele menino infeliz ao ponto de a mãe não conseguir livrá-lo do repugnante sujeito. O juiz pode invocar tudo e mais alguma coisa no intuito de justificar a decisão, da injustificável decisão, a qual provoca natural acrimónia contra o magistrado nefelibata desprendido da realidade, preso a abstracções impróprias de pessoas cuja racionalidade as leva a condenar veemente e de imediato torturas de todo o género aos seres humanos e aos animais em geral, às crianças em particular. A um bebé!

Dado nada poder fazer para além de expressar a minha repulsa escrevendo neste jornal sobre o ocorrido, remeti uma carta ao Instituto de Apoio à Criança, pedindo a sua intervenção junto do Conselho Superior de Magistratura, na esperança do juiz que não antecedo do qualificativo de Senhor receber justa e incisiva sanção.

Na minha opinião a acção do juiz absorto ante a tortura de um inocente menino é mais grave que a suposta corrupção de um desembargador, sendo pecado grave é venial no confronto com a tortura.

Clamorosa injustiça contra o Menino!

Armando Fernandes

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*