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Hoje, “era” o dia do sacrifício!

Em Opinião

O dia 17 de dezembro marcava o dia do sacrifício, mas também do “deboche” (1)

Esse festival, que decorria até 25 de dezembro, era coisa de romanos! O festival chamava-se Saturnália, no tempo da Roma Antiga, onde o Deus era outro: Saturno. Restos do seu templo e lugar de sacrifício ainda hoje podem ser vistos no Fórum Romano. O festival era a celebração da esperança, do ano novo, de fartas colheitas e da libertação de Saturno.

A seguir ao sacrifício vinha a bonança: festas, visita aos amigos, ofertas de prendas, até se consta bacanais. Pondero se esse tempo não era mais interessante do que o de hoje – pelo menos a Coca-Cola ainda não tinha conseguido tornar o Pai Natal numa figura mundial de negócio e consumismo desenfreado!

“Essa coisa” do sacrifício que atravessa continentes, povos e história, faz-me sempre recordar o templo de Ara Pacis em Roma. O senado romano mandou-o erguer depois de Augusto, celebrando a sua vitória, depois regressar da Hispânia e de impor a chamada Pax Romana por cima de milhares de cadáveres. Para Ara Pacis foi ordenado que virgens, padres, magistrados fizessem um sacrifício todos os anos.

Já num outro lugar de Roma, aliás bem perto do Coliseu, está outro lugar de sacrifício: a caverna / mitreu por baixo da atual Basílica de S. Clemente. Há alguns anos visitei esse mitreu, lá está o altar onde o boi era sacrificado e cujo sangue chegado à terra a purificaria e dar-lhe-ia fertilidade. O 25 de dezembro era o seu dia mais importante, pois era associado ao nascimento de Mitra!

Na Saturnália os escravos eram libertados do trabalho, adquiriam o direito de comer com os seus senhores e participar nas festas [uma coisa boa para explicar a certos latifundiários do Ribatejo e Alentejo] e as barreiras jurídicas eram “congeladas”.

Acabada a Saturnália voltava a ordem vigente. É como cá no Natal. Neste Marcelo reforça as visitas – sempre acompanhado de TVs – e janta com os sem-abrigo e tira ainda mais selfies; muitos fingem felicidade e concórdia onde existe triste tristeza e discórdia, depois tudo volta à ordem vigente; muitos reforçam as celebrações religiosas, apregoam o amor a Deus e logo de volta à ordem vigente obrigam escravos imigrantes a morrer no Mediterrâneo…

Termino a recordar a homilia de Natal de 2018, em que o Papa Francisco criticou a “voracidade consumista” dos homens apelando à partilha com os que menos têm (…) e referiu os dias de hoje como aqueles “em que uns se banqueteiam enquanto outros não têm pão para viver”.

Talvez António Costa se lembre disto e na sua mensagem de Natal anuncie um aumento significativo das reformas mais baixas. Afinal é Natal!

E não chega já de sacrifícios?

Vítor Franco

(1) 17 de dezembro no calendário juliano.

Créditos de imagem:

Ara Pacis https://www.rome-museum.com

Estatueta de sacrifício de touro, museu do Coliseu Romano: Vítor Franco

1 Comment

  1. Nao e’ neste NATAL nem nos mais proximos que os pensionistas (1 milhao a receber ate’ 264 euros/mensal) terao um aumento significante nas suas pensoes. A EXTREMA DIFICULDADE DE DAR MAIS A QUEM TEM MENOS. Nao e’ dar esmolas que se combate a POBREZA. Para que os pobres nao tenham de sofrer na pele a sua triste situacao A PENSAO MINIMA DEVIA SER : 500 EUROS/MENSAL. Haja decencia meus melhores.

    RB – SUOMI

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