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A óbvia escolha

Em Opinião

Não se pode ficar senão espantado ante este homem com a sua estranha e complexa força interior capaz de suportar toda a casta de atoardas e dichotes que nos dois últimos anos tem recebido de companheiros militantes só porque ousou ganhar a presidência do PSD ao «filho querido» da vulcânica oposição mais taful que objectiva assim ao modo da desaparecida Senhora Cristas. Esse homem, teimoso, amigo de poupar e amante das boas contas, chama-se Rui Rio. Duvidará o leitor da validade dos encómios contidos nesta crónica, no entanto, sabendo como sei de Rui Rio não ceder á conveniências capazes de colocarem em causa a nobreza ideológica do PSD (o que foi possível no período de Passos Coelho), a acções políticas em proveito dele mesmo e dos amigos, dado ao longo dos anos ter provado não pactuar com o amiguismo.

Na minha idade ter uma figura partidária com as características do antigo presidente da Câmara do Porto transmite-me confiança a quem posso comprar um carro em segunda mão sem receio, a quem posso dizer olhos nos olhos todas as críticas desde as más escolhas até ao seu desempenho displicente no contacto com os jornalistas, passando por desatenções de agenda como foi não visitar Mação na terrível ressaca dos incêndios que assolaram aquele concelho. Sim, os seus detractores apontam-lhe o defeito de ser portuense, de não esquecer agravos (para mim virtude), de muitas vezes surgir mortiço não dando murros na mesa privilegiando o interesse nacional em detrimento das tiradas ocas de defesa da suposta ofensa da honra. Os críticos não querem perceber o significado do velho provérbio – antes quebrar que torcer –, cousa rara nos tempos correntes, cousa virtuosa a todos os níveis, especialmente na área política.

A noção de poder não pode ser obliterada pela pulsão do desejo de o manter a todo custo, o poder é efémero avisam os senadores romanos rouquejando nos túmulos, no PSD existem «senadores» que ainda não entenderam viverem politicamente mortos, são mortos-vivos, apesar da evidência teimam, intrigam e esbracejam num vácuo na tentativa de continuarem vivos-vivos, os pescadores em águas turvas apreciam-nos na justa medida de lucrarem algum proveito sustentado na persistência de quem foi e não vai voltar a ser em virtude de terem deixado um legado escorado no desvirtuamento da social-democracia, no conseguirem superar a troika no vergastar os contribuintes menores a favor dos maiores.

O acima escrito é a razão da óbvia escolha: Rui Rio.

Armando Fernandes

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