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PSD – Dois candidatos e um golpista

Em Opinião

Como os caros leitores sabem, decorre a campanha eleitoral para a conquista da Presidência do Partido Social Democrata. Três candidatos digladiam-se por um dos mais importantes lugares da política lusa, porque permite liderar uma instituição que, com um espírito reformista, ajudou a construir o nosso Portugal democrático — em tudo aquilo que este tem de bom e de mau — e porque é a única agremiação com capacidade de se constituir numa alternativa aos governos do Partido Socialista.

Das minhas palavras, meus senhores, não se entenda que vivo numa bolha protegida do quotidiano desgastado da força política em que escolhi militar. Compreendo, sem qualquer arroubo romântico, que os tempos são estruturalmente desfavoráveis ao PSD! E, por esse mesmo motivo, apoio Rui Rio. Da tríade de contendores, só o homem de sobrenome fluvial me parece apto a suster a quebra evidenciada — que não é coisa de agora — e a incoar uma gradativa regeneração do vistoso laranja que colore as suas bandeiras.

Naturalmente, para que o consiga fazer, além do triunfo no próximo dia 11 de Janeiro de 2020, Rui Rio precisa de comandar uma colectividade em que certos militantes e respectivos avençados comecem a aceitar os resultados dos sufrágios internos, sem constantes tácticas de guerrilha para o derrubar. Se o esmorecer do PSD se iniciou no ocaso invernal do cavaquismo, se se agravou, de forma lapidar, durante o período da Troika e atingiu o paroxismo assim que os portugueses superaram o medo do futuro, não haverá recuperação possível se continuarem os golpinhos e as golpadas de gente que se recusa a avaliar as consequências pérfidas dos seus actos.

Por estas razões, apesar das brincadeiras que aduzo com o desconhecimento generalizado de quem é Miguel Pinto Luz, só esse émulo merece o meu respeito. Não duvido de que possa ocorrer uma segunda volta e de que esta oponha o ex-Presidente da Câmara do Porto ao arrivista cujo apelido de jovem república balcânica (Montenegro) se tornou famoso por encabeçar intentonas escoradas em sondagens marteladas, mas, de facto, apenas Rui Rio e Miguel Pinto Luz justificam que me mantenha interessado e activo, depois de cumprir com os compromissos que assumi.

Posto isto, declaro-me deveras preocupado e desgostoso ao ler a entrevista do homem que pincela clarões — pinta a luz! –, porquanto admite coligações com o clube de fãs de André, o burlão, Ventura.

A minha inquietação não decorre de haver disponibilidade para conversar com o Chega. Quer queiramos, quer não queiramos, essa associação recreativa adquiriu um estatuto par(a)lamentar e tende a crescer, pelo que seria imprudente e até contraproducente estabelecer um cordão sanitário que impedisse o diálogo e a negociação de medidas com quem representa eleitores. Contudo, o Vice-Presidente da Câmara de Cascais utiliza expressamente — e divertidamente — o vocábulo aliança (ai… Santana!), o que excede o relacionamento superficial que as regras democráticas nos exigem.

O PSD não deve encetar consórcios formais articulados com uma entidade que não passa da colectivização do indivíduo que a chefia: um dissimulado flor de estufa que, semana sim, semana não, e em histérico falsete, demanda por pedidos de desculpa; um peralta que não acredita em nada do que defende!

Intuindo que se tratou de uma “mordidela sonora” sem verdadeiro conteúdo programático, ou seja, de um bitaite atirado para alcançar algumas franjas extremadas da militância social democrata, nunca me conformarei se a minha percepção instintiva se demonstrar errada! Nunca!

João Salvador Fernandes

1 Comment

  1. Para a presidencia do PSD tanto faz la’ estar o A, B ou C se o ideario da social democracia nao tem origem verdadeira – vide os paises nordicos. Para cativar o eleitorado grandes mudancas terao de ser feitas. Ontem, ja’ era tarde.

    RB – NORDIC

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