fbpx

Inquietação

Em Opinião

José Mário Branco, compositor, produtor e intérprete, morreu a 19 de Novembro de 2019. Foi uma figura ímpar da música de intervenção portuguesa, olhada com respeito pelos colegas cantautores. 

Percebeu que a Música, enquanto Arte e para além de forma de lazer e fruição, é uma dimensão absoluta daquilo que é ser humano. Foi um homem que demonstrou que a Música tem uma forte dimensão social e que acompanha a inquietação dos seus autores e dos seus ouvintes. É uma forma de crítica e de alerta.

Percebeu também na perfeição a necessidade da “Arte para as massas”, enquanto direito da população à fruição cultural (direito previsto na Constituição da República Portuguesa e amplamente marginalizado). A Cultura, tal como a Ciência, representa um valor insubstituível de desenvolvimento, de libertação e de afirmação, não devendo ser encarada como uma despesa, mas como um investimento.

Agora que, de forma merecida e lógica, honramos a sua memória não nos podemos esquecer das dificuldades que José Mário Branco teve para editar muitos dos seus discos, mesmo no pós-25 Abril.

Teve de encontrar inovadoras formas de financiamento para gravação/edição de discos, como apresentá-los ao vivo antes de os gravar em estúdio, por forma a obter financiamento.

A sua obra, que hoje (quase todos) consideramos ímpar, teve forças de travão no pré e pós-25 Abril. Reflectir sobre isto é também honrar José Mário Branco e os “Zé Mários” que estão por vir.

André Arraia Gomes

Nota do autor: adaptado da intervenção que realizei na Assembleia Municipal de Santarém de 6 de Janeiro, enquanto deputado do PCP.  

Deixar uma resposta

Recentes de Opinião

Alavancador

Apesar dos desaires no convencimento de países irmãos (são mais que inimigos,…

Ir para Início
%d bloggers like this: