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Benavente e Vila Franca – Investigadores identificam vulnerabilidade de infraestruturas em caso de sismo

Em Sociedade

Investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) desenvolveram, em colaboração com especialistas europeus, uma plataforma capaz de identificar a “vulnerabilidade” em caso de sismo de infraestruturas já construídas , assim como as “soluções de engenharia” a adotar.

Em declarações à Lusa, António Viana da Fonseca, professor do Departamento de Engenharia Civil da FEUP, afirmou hoje que foi com o propósito de “encontrar soluções otimizadas” para mitigar os efeitos provocados pela liquefação dos solos [desmoronamento comparável ao de areias movediças] induzida por sismos que surgiu o projeto ‘LIQUEFACT‘.

Iniciado em maio de 2016 e financiado em cinco milhões de euros, o projeto, que termina agora com a criação de uma plataforma digital, teve como ponto de partida os “riscos associados a este fenómeno”, quer para as infraestruturas e edifícios já construídas quer para as populações.

Durante mais de três anos, a equipa composta por especialistas de seis países europeus – Portugal, Eslovénia, Inglaterra, Itália, Noruega e Turquia – analisou “detalhada e meticulosamente” várias regiões da Europa e identificou “macro zonas” e “micro zonas” onde existiam registos históricos do fenómeno ou características dos solos que poderiam indiciar o surgimento de liquefação.

“O primeiro objetivo foi: vamos olhar para a Europa como um todo e identificar regiões onde historicamente estes fenómenos ocorreram ou onde as características dos solos mostram que pode vir a existir”, explicou o docente.

E acrescentou, “o mapeamento é detalhado, mas, olhando ao pormenor, não víamos as nossas cidades, infraestruturas como os hospitais, escolas, quartéis de bombeiros ou polícia, então decidimos fazer um mapa mais detalhado”.

Margem esquerda do Tejo tem grandes riscos de liquefação

Como era “impossível fazer um microzonamento de todo o território”, os especialistas optaram por quatro regiões-piloto onde existiam historicamente registos das “grandes consequências” da liquefação: a região da Emília-Romanha (Itália), zona do Mar de Mármara (Turquia), a Eslovénia e a margem esquerda do Rio Tejo nos municípios de Benavente e Vila Franca de Xira.

Concentramos a nossa atenção em todos os dados referentes ao sismo de 1909 que destruiu completamente Benavente e da análise e estudo que fizemos concluímos que, na zona da margem esquerda do Tejo, existem bastantes riscos de liquefação“, salientou.

Segundo António Vinhas da Fonseca, foi com base nesta análise “detalhada” das quatro regiões-piloto que, paralelamente, surgiu a plataforma digital, intitulada ‘LIQUEFACT‘, que visa, além de identificar “as zonas de risco”, mitigar os efeitos deste fenómeno, “apontando soluções de engenharia avançadas com um custo benefício otimizado”.

A ferramenta construída é uma ferramenta de causa-efeito à luz das necessidades de infraestruturas e edifícios, como os hospitais, escolas, centros de saúde“, referiu o docente, adiantando que o ‘site’ vai ser de “livre acesso a ‘stakeholders‘”, nomeadamente, municípios e entidades gestoras.

À Lusa, o responsável adiantou que os especialistas pretendem agora desenvolver outros projetos com o intuito de analisar “outro tipo de edifícios e de estruturas”, nomeadamente, de maior envergadura e dimensão.

“Queremos desenvolver outros projetos e aumentar as tipologias dos edifícios e estruturas analisadas, até porque esta plataforma não é exclusivamente europeia, pode ser utilizada e ter aplicações na maioria das regiões do planeta”, concluiu.

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