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O sénior tem tudo a ganhar com o bom uso do medicamento: Saber lidar com as alterações orgânicas, ser disciplinado nas tomas e nos horários

Em Saúde

Ninguém ignora que o envelhecimento veio para ficar, está em franca expansão, não se prevê reversibilidade. Viver mais acarreta novos desafios: uma promoção para a saúde, retardadora de doenças e ativadora de uma vida com mais qualidade; responder às doenças crónicas com terapêuticas adequadas; e saber enquadrar o quotidiano com estilos de vida saudáveis, com literacia em saúde, uma boa vida de relação, envelhecer colaborativo, cuidar e ser cuidado.

É no contexto da literacia que o sénior deve começar por estar atento ao que vai mudando no seu organismo. Porque se vão dando alterações orgânicas e funcionais que determinam, por exemplo, cuidados especiais na toma de medicamentos, sobretudo as associadas à função renal, ao sistema nervoso central e à incapacidade de regular convenientemente as variações de pressão arterial, o que pode fazer o sénior sofrer de episódios de quedas de pressões arterial. Do mesmo modo, a chamada automedicação impõe-se com restrições.

Os cuidados particulares em seniores na sua relação com os medicamentos baseiam-se no facto de estas pessoas já terem uma ou mais doenças crónicas e cada uma delas poder requerer a toma de um ou mais medicamentos. Quanto maior for o número de medicamentos que uma pessoa toma, maior é a probabilidade de surgirem interações entre eles. Frequentemente, é necessário o ajuste da dose e estar atento a que nestas associações de medicamentos possam surgir reações adversas.

O que acontece no organismo do sénior? São alterações que têm a responsabilidade por eventuais aumentos de sensibilidade e acumulação de substâncias presentes nos medicamentos, que podem acarretar efeitos adversos secundários ou ao nível da toxicidade. Recorde-se que no sénior a acidez gástrica é menor, o que pode modificar a absorção de alguns medicamentos. A diminuição dos movimentos intestinais pode também contribuir para uma absorção mais lenta dos medicamentos. Há medicamentos que antes de atuarem sofrem de inativação no fígado ou no intestino, o que implica que a quantidade ativa passe a ser inferior àquela que se toma. Esta inativação dos medicamentos pode também ser consequência da redução da massa do fígado e do fluxo sanguíneo deste órgão. O sénior tem também baixo nível de proteínas no sangue, o que provoca implicações na distribuição dos medicamentos que se ligam a estas proteínas. Tem também o sénior proporcionalmente maior quantidade de gordura em relação à massa muscular, o que pode condicionar a acumulação de medicamentos que se ligam mais à gordura.

À medida que a idade progride, os rins reduzem progressivamente a sua atividade. Como os medicamentos e os produtos resultantes da sua inativação são eliminados pelos rins, a diminuição da função renal faz com que o medicamento seja acumulado, com probabilidade do aumento do seu efeito ou de maior toxicidade.

Tudo isto para dizer que devemos encarar com lucidez as nossas alterações orgânicas e respeitar criteriosamente as prescrições médicas e dialogar com o nosso farmacêutico para que haja sempre um bom uso do medicamento, um dos pilares do envelhecimento bem-sucedido. Voltaremos ao assunto, há que lhe dar continuidade.

Mário Beja Santos

Cumpra a prescrição médica, esteja atento às reações adversas, leia o folheto informativo, em caso de dúvidas fale com o seu farmacêutico

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