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Touradas em Santarém: o erro persiste

Em Opinião

Nos primeiros meses de 2019, o executivo municipal eleito pelo PSD anunciou, na altura, 20 mil euros na compra de bilhetes de touradas para oferecer aos cidadãos.

Foi um ato claro: associar o executivo e o município a esta atividade decadente. Se por um lado, o PSD de Santarém tem todo o direito de fazer da defesa da tourada uma causa para captar eleitores, já a instrumentalização de dinheiro dos contribuintes e de recursos da câmara municipal para atividades que promovem o sofrimento animal merece ser questionada, criticada, contestada.

Por muito que a maioria dos aderentes do PSD em Santarém sejam aficionados, a câmara municipal de Santarém deve representar todos e todas as munícipes do concelho.

E o executivo sabe que a decisão do ano passado em financiar as touradas foi mal recebida por muitas pessoas (veja-se, por exemplo, o número de pessoas que acompanha a página Santarém Sem Touradas – https://www.facebook.com/santaremsemtouradas/).

Mesmo assim, decidiu que para o ano de 2020 o investimento fosse de 25 mil euros!

Para além disto, na nossa opinião, o executivo deve ter um papel que consista em dar o exemplo na transmissão de valores humanitários e de respeito com o ambiente e os seres vivos que habitam o planeta. Cabe assim a esta instituição dar passos proativos na procura de uma evolução na relação entre animais humanos e animais não humanos e, consequentemente, no término de práticas que causem sofrimento.

Como se estes argumentos não fossem suficientes, o concelho de Santarém tem necessidades de investimento muito mais urgentes.

Santarém necessita de mudança, de evolução, de investimento. Investimento no sentido de apostar, por exemplo, no Rio Tejo, passeios pelo Rio, cooperações ou acordos entre as Juntas de Freguesia do município e Câmaras vizinhas, ora, melhorar as zonas ribeirinhas.

Investimento a nível de um outro tipo de turismo, sendo ele Ambiental ou Religioso, por exemplo, somos a capital do Gótico e não beneficiamos de nada com isso, não damos a conhecer àqueles que nos visitam diariamente os monumentos belos que temos, com uma admirável arquitetura.

Para os próprios cidadãos visitarem as igrejas, tem de haver uma espécie de marcação à posteriori, assim, poderiam ser criados postos de trabalho no acompanhamento turístico.

Investimento a nível de infraestruturas para as freguesias rurais, transportes acessíveis por todo o concelho e, não esquecendo, o canil/gatil municipal continua cheio e sem grandes condições para receber os imensos animais abandonados que lá chegam.

A Praça de Touros poderia e deveria ser aproveitada para outro tipo de cultura, para além das atividades tauromáquicas, proporcionando espetáculos musicais, sessões de cinema, teatro aberto, debates e até mesmo colóquios.

Dizer que a tourada é cultura é menosprezar as artes, por exemplo, as já mencionadas por nós, até porque as artes partem sempre da livre iniciativa de quem as cria, ao contrário da tourada onde o touro é obrigado a permanecer numa arena, contra a sua vontade de liberdade.

O touro não tem a opção entre escolher em estar numa arena ou não, mas já o público, esse sim, tem a opção de continuar a apoiar ou não este tipo de atividades tauromáquicas.

Jéssica Vassalo. Estudante de Jornalismo, co-organizadora do movimento Santarém Sem Touradas

Francisco Cordeiro. Ex-deputado municipal, membro do movimento Santarém Sem Touradas

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