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Ex-presidente da Câmara de Abrantes, a Secretária de Estado Maria do Céu Albuquerque é questionada pelo PSD Distrital

Maria do Céu Albuquerque

Em Opinião

Para quem pertença à fauna nativa — como é o meu caso — ou acompanhe o dia-a-dia de Abrantes com um olhar atento, o nome de Maria do Céu Albuquerque ecoa na memória. O que não quer dizer que assim aconteça por razões politicamente positivas. Foi vereadora e, durante 9 anos, conduziu os destinos municipais na qualidade de presidente da Câmara, legando-nos um Concelho a necessitar do viático, nas suas zonas periféricas e rurais, e uma área urbana que evoca o título de cidade fantasma.

No que me toca, e sempre dentro de uma demandável correcção no trato, digladiei-me com a então autarca na Assembleia Municipal de Abrantes e assisti, em diversos certames, às suas inúmeras intervenções.

Ora, se adveio surpresa por esta haver sido nomeada Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, seria pouco assisado e até injusto asseverar que o seu perfil político não se enquadra no exigido para as funções: domina as realidades municipal e intermunicipal, não ignorando as atribulações por que passam os territórios de baixa densidade populacional.

Agora, ao ser indigitada Ministra da Agricultura — ainda que estejamos perante um ministério coxo, desprovido da tão importante floresta –, a surpresa transformou-se num boquiaberto assombro. Posso estar equivocado, mas penso tê-la ouvido afirmar algures que nada percebia da poda — tal como eu –, e tenho a certeza de que nada percebe dessa actividade, nem dos entrelaçamentos do sector agrícola.

Cada um sabe de si! Alguns cedem ao Princípio de Peter, outros suplantam a basilar falta de competências, merecendo elogios pela forma como evoluíram e se tornaram em peritos na área em causa.

Provocou-me algum espanto, confesso, quando a governante de nome celestial garantiu que: «As culturas de sequeiro já não existem devido às alterações climáticas.» Na altura, recebi uma chamada de um cliente, empresário dedicado às cultura de sequeiro na zona de Torres Novas, que me perguntou, em tom jocoso, se deveria desistir de duas décadas de trabalho. Eu ri-me, comentei e pedi-lhe para se manter firme e não desistir do seu prazeroso ganha-pão.

O erro é lúbrico, e todos nele escorregamos! Nesse sentido, sopesei os vocábulos albuquerquianos e arrumei-os no canto dos irrelevantes disparates.

Todavia, a aludida incumbente decidiu machadar-nos o cérebro com declarações sobre as potenciais vantagens para Portugal das consequências da epidemia de coronavírus que tanta inquietação vem originando. Ressumando obviedade, as críticas avolumaram-se, o que levou a Senhora Ministra da Agricultura a lamentar-se pela inexacta — segundo a própria — interpretação feita do que esta havia expressado…

Caros leitores, creio que é evidente o que Maria do Céu Albuquerque pretendia exprimir, mesmo que tente fugir às repercussões do seu discurso: o mal dos outros pode ser benéfico economicamente para quem não é por este afectado. Isto aconteceu com o turismo, por exemplo, dada a instabilidade que emergiu no norte de África, fazendo com que muita gente optasse pelo nosso País como local para gozar férias, na decorrência da famigerada Primavera Árabe.

Este contexto, no entanto, manifesta-se revelador de uma mentalidade economicista tremendamente preocupante, carente de compaixão e perigosa, até porque não nos foram ofertadas garantias de que o bicharoco asiático nos poupará de umas cacetadas valentes.

Quando Maria do Céu Albuquerque era uma espécie de baronesa, confundindo maioria absoluta com poder absoluto, e o Município de Abrantes o seu feudo lá longe, uma redoma opaca impedia que certas palavras desastrosas a prejudicassem. Em Lisboa, porém, as circunstâncias alteraram-se substancialmente: o escrutínio à ministra não é o escrutínio à presidente da Câmara; e os resultados dessa atenção minuciosa também não…

Ou seja, se fosse outra pessoa, eu estaria a escrever acerca de demissões e/ou exonerações, mas, neste âmbito, prefiro que tudo se mantenha como está… Vai que opta por retornar à vida política em Abrantes… Livra!… Estarão a exclamar os dirigentes do PS de Abrantes…

João Salvador Fernandes

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