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Rede de imobiliárias Century 21 registou descida do preço de venda de casas de 11% no distrito de Santarém

Em Empresas

A faturação da Century 21 Portugal aumentou 14%, para 47 milhões de euros, em 2019 face a 2018, com o crescimento “histórico” de 19% das transações de arrendamento a superar a subida de 6% das operações de venda.

Em entrevista à agência Lusa, o administrador da rede nacional de mediadores da marca Century 21 Portugal adiantou que em 2019 foram realizadas 13.291 transações de venda de imóveis, mais 6% do que as 12.539 de 2018, enquanto as operações de arrendamento registaram uma “subida histórica” de 19%, “numa inflexão clara da tendência verificada no ano anterior”, somando 2.539 transações (mais 408 que no ano anterior).

Segundo Ricardo Sousa, esta forte evolução do arrendamento resultou quer dos critérios mais apertados para concessão de crédito, que “tiram muitas famílias do acesso à habitação”, quer da “escassez de oferta de imóveis para aquisição ajustados ao poder de compra dos portugueses”, que motiva “muitas famílias a procurar uma solução temporária de habitação”.

“O grande desafio que vivemos em 2019, e para o qual já vínhamos a alertar em 2018, é este desajuste entre a oferta e a procura, ou seja, a oferta existente não está ajustada àquilo que são as necessidades e capacidades dos portuguesas e em 2019 veio a demonstrar-se essa realidade”, considerou.

Para o administrador da Century 21, impõe-se que os atores do setor imobiliário constatem “o que procuram, o que desejam e o que podem efetivamente adquirir os consumidores nacionais para se criarem soluções de habitação em linha com as expectativas e a capacidade financeira das famílias portuguesas”.

Ainda assim, diz, “há algo que mudou claramente em 2019 e cujo impacto se vai notar em 2020 e 2021”.

“Começámos a ver muitos investidores internacionais a concluírem transações para iniciarem projetos chave para a classe média e média baixa, seja dentro dos próprios centros das cidades, com projetos para Lisboa ou Porto já para este segmento, seja fora. Isto é um processo de transformação que vai obrigar a um diálogo com os vários municípios das duas principais áreas metropolitanas de Lisboa e Porto porque é preciso repensar os PDM [Planos Diretores Municipais]”, sustentou.

Na rede Century 21 Portugal, o valor médio de arrendamento no ano passado fixou-se nos 807 euros, recuando 1% de face aos 812 euros de 2018, tendo esta média sido superada nos distritos de Lisboa (1.014 euros), do Porto (868 euros) e de Faro (811 euros).

Para a empresa, “este indicador revela que o valor do arrendamento, em diversas regiões, já atingiu o limite da capacidade financeira da maioria das famílias portuguesas e que apenas os consumidores do segmento médio e médio alto conseguiram aceder às soluções de arrendamento que estão em oferta no mercado”.

Segundo a Century 21, as regiões onde o índice médio de arrendamento mais subiu foram Évora, Açores e Coimbra, seguidas do Porto (com uma subida de 25% nas rendas) e de Lisboa (19,2%). Em sentido inverso, destacou-se Setúbal (onde o valor médio de renda da habitação caiu mais de 32%), a Madeira (com uma quebra superior a 16%) e Braga (onde o recuo foi de 5%).

No que se refere às transações de venda, as habitações mais procuradas pelos portugueses em 2019 foram os apartamentos de tipologias T2 e T3 e o valor médio dos imóveis superou os 147,7 mil euros, mais cerca de 5% face ao valor médio de 140 mil euros de 2018, refletindo o aumento dos preços dos imóveis e o tipo de habitações em oferta no mercado.

Na rede Century 21 Portugal, o segmento nacional registou um peso de 82% no número de transações, destacando-se a Linha de Sintra – Amadora e Sintra – Linha de Cascais e margem sul como as zonas mais dinâmicas.

Os distritos com as subidas médias de preços mais significativas foram Viseu, com um aumento médio superior a 32%, seguido dos Açores, com 25,4%, e Faro, onde o acréscimo no valor médio da habitação foi de cerca de 20%.

Já no distrito de Lisboa a subida foi de 6,39%, com o valor médio das transações a superar os 200 mil euros, enquanto o distrito do Porto registou uma subida mais acentuada, com o valor médio da habitação a subir 9,6% e os imóveis transacionados a rondarem os 136 mil euros.

No sentido inverso, os distritos onde os valores médios de transação registaram evolução negativa foram Santarém, com o preço de venda de casas a baixar mais de 11%, seguido de Braga (-10%) e dos distritos de Leiria e Aveiro (-4%).

Ricardo Sousa explicou que esta evolução dos preços médios de venda por região, com aumentos mais moderados nos distritos de Lisboa e Porto, “indica que a capacidade financeira das famílias portuguesas já não consegue acompanhar a subida de preços da habitação, sobretudo no centro das principais metrópoles do país”.

“É evidente a descentralização da procura para zonas periféricas do centro das duas principais cidades nacionais, que registaram uma forte dinâmica transacional ao longo de 2019.

Por outro lado, o aumento da oferta está também a influenciar as tendências de preço nalgumas cidades – como Braga, Santarém, Leiria e Aveiro – que começam a registar uma inversão da trajetória dos valores médios da habitação”, refere o administrador.

No ano passado, o segmento internacional representou cerca de 18% do total das transações da rede Century 21 Portugal (uma quebra residual face aos 19% de 2018), apresentando “uma procura estável, mas a perder peso face ao crescimento da procura doméstica”.

No Porto, os estrangeiros que mais procuraram imóveis foram franceses, brasileiros, israelitas e chineses, assim como turcos e iranianos, preferindo apartamentos T2 entre os 100 mil e os 200 mil euros.

Em Lisboa, os clientes internacionais foram sobretudo de França, Itália, Espanha e Luxemburgo (seguida de perto pelo Brasil, China e países como Bahrain e Nepal), salientando a Century 21, “no segmento europeu, o interesse em imóveis novos e empreendimentos em planta”.

“No caso dos Golden Visas, registou-se uma mudança de paradigma. Inicialmente, a procura estava associada à aquisição de habitações, enquanto em 2019 se verificou maior preferência por lojas e escritórios, para investimento e com rentabilidade imediata, e por valores superiores a 350.000 euros”, nota a empresa.

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