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Um imperativo de civilização: serviços de saúde mais próximos das pessoas

Em Saúde

Em Portugal, vivemos sob as consignas do desenvolvimento e do bem-estar para todos. Para melhores resultados, há que enfrentar a realidade dos números: o nosso vastíssimo e acelerado envelhecimento e o desequilíbrio acentuado entre o litoral e o que se chama interioridade.

O direito a envelhecer com dignidade é um direito humano fundamental, mas a saúde não olha a idades, até as doenças crónicas estão muito longe de ser apanágio da idade sénior.

Não é mera casualidade estar no topo da agenda política a definição de doença crónica e o seu estatuto, os direitos do cuidador informal, a literacia em saúde, o reforço das parcerias em saúde, a prestação de cuidados e serviços em regime ambulatório, a valorização do médico de família, do enfermeiro de família, dos serviços farmacêuticos e dos cuidados familiares.

Não dá para entender os desaproveitamentos nos sistemas de saúde, neste tempo em que se fala a todo o instante em sustentabilidade financeira e no bom uso dos recursos.

Veja-se a farmácia, como tudo mudou. Já lá vai o tempo em que a farmácia era encarada como um espaço em que se dispensavam medicamentos. Com o andar das décadas, a farmácia comunitária ganhou potencialidade nos serviços orientados para a prevenção da saúde, a monitorização do efeito dos medicamentos e para a educação das populações no tocante a autocuidados.

Mas tem sido mais longe, pense-se na vacinação, na troca de seringas e administração de metadona, nas determinações quanto à glicémia, pressão arterial, colesterol e triglicerídeos.

No chamado mundo ocidental, estas prestações de serviços tendem a crescer e num contexto de parcerias. Os exemplos são ilustrativos. A partir deste ano, as farmácias francesas estão a realizar testes rápidos de diagnóstico de amigdalites, após uma espera de cinco a dez minutos, o farmacêutico está em condições de determinar se a infeção é bacteriana ou vírica.

Se a infeção foi bacteriana, o farmacêutico referenciará o utente para o médico de família, que prescreverá o antibiótico adequado. Assim se reduzirá o consumo inadequado de antibióticos que é já em todo o mundo um problema-maior de saúde pública.

Também em França os serviços de telemedicina vão estar disponíveis nas farmácias, estas serão livres de os acolher ou de dizer não por razões logísticas.

A gestão da doença crónica está a ser um verdadeiro êxito nos países que a praticam. Em Inglaterra, passou a ser prática comum a revisão da terapêutica, que é particularmente vantajosa para os doentes crónicos, que passam a consultar o farmacêutico em paralelo às suas consultas de rotina com o médico – libertam-se horas de consultas médicas, evitam-se urgências e hospitalizações desnecessárias.

A dispensa de medicamentos antirretrovirais mostra que o doente com VIH fica com maior qualidade de vida e abre-se espaço para que os profissionais de saúde colaborem para favorecer a prevenção e o diagnóstico precoce desta doença.

As parceiras em saúde são um desafio maior na interioridade, o trabalho colaborativo entre o centro de Saúde, o médico de família e o enfermeiro de família e a farmácia trarão inevitavelmente grandes benefícios.

A farmácia já tem um amplo campo de ação no tratamento das chamadas doenças benignas, todos ganharão com uma monitorização das doenças crónicas, para evitar reações adversas nos medicamentos e a possibilidade de se obterem diagnósticos precoces para todos.

O futuro para a saúde passa por este enorme entendimento, viveremos melhor, com menos desperdícios e maior humanização dos serviços.

Mário Beja Santos

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