Interpretações

Em Opinião

Nada mais doloroso será mais doloroso para os parentes da pessoa visada ver e ouvir noticiários e ler nos jornais notícias e comentários relativos à mulher ou homem que saltou para os palcos da ribalta por ter proferido comentários ou cometido acções a suscitarem reprovação generalizada e clamores jocosos ou irados contra quem subiu a esse palco de exposição mediática.

Todos os dias assim acontece, desta feita à ribatejana Maria do Céu Albuquerque ora ministra da agricultura após ter desempenhado os cargos de Vereadora e Presidente da Câmara de Abrantes. Na qualidade de ministra, a visitar em Berlim um certame dedicado a frutas, a língua deslizou-lhe para o conhecido ditado – um no papo, outro no saco –, pois enquanto provava, atreveu-se a dizer que a epidemia coronavírus a grassar na China podia ser benéfica para as exportações de frutas portuguesas, em virtude da obrigatória quebra das exportações do país azul celeste.

As palavras afoitas a sintetizarem «com o mal dos outros podem bem» e dele retiramos proveitos provocaram compreensível alarido levando Maria do Céu a dar plena expressão «foi pior a emenda que o soneto» ou seja: o dito pode ser interpretado conforme nós queiramos. Poder pode, no entanto, o amâgo do proferido salienta o aproveitamento da desgraça alheia o que para quem é católica posterga a mensagem inserida nas obras de misericórdia. O primeiro-ministro tomou nota do despiste linguístico e no momento azado não deixará de lembrar à novel ministra.

No tocante a interpretações interpreto como ruidosa e opaca resposta as considerações de António Vitorino acerca do seu envolvimento em negócios «complicados» na Venezuela e várias ramificações. Espanta-me que um homem tão inteligente, dono de ferino humor, «não há festança que não convidem dona Constança» descarrila numa carruagem ao lado de Dias Loureiro, o genro e o pai do genro, os Morodo do jet-set espanhol. A interpretação e a de o dinheiro ser tão lindo, tão sedutor, tão lascivo, que resistir-lhe é feito digno de eremita a viver numa gruta e alimentar-se de raízes e ervas.

É nesse pressuposto que interpreto a multidão de zângãos em volta do pote de mel criação de Isabel dos Santos, na meninice vendia ovos, agora teve o desvelo de não colocar todos os ovos da sua enorme fortuna no mesmo cesto, os zângãos desapareceram da circulação mediática, lambem as feridas provocadas pelos documentos saídos das mãos do protegido de Ana Gomes (durará bem pouco quem não assistir ao espectáculo da colocação de Rui Pinto no lugar da sua danação) e aguardam a chegada da Primavera amenizadora da tempestade através de acordos negociados a tempo e horas. Nas farmácias vendem interpretações!

Armando Fernandes

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