Mercado Municipal – A previsibilidade da incompetência…

Em Opinião

O Mercado Municipal de Santarém está a ser requalificado ao longo de um período previsto de um ano e a obra tinha um custo estimado de aproximadamente 2 milhões de euros. Até aqui tudo bem, apesar de a forma como a Câmara lidou com os antigos comerciantes do espaço não ter sido humana nem correta e de o modo de exploração futuro oferecer muitas reticências e dúvidas, todos reconhecemos que a obra era necessária e ainda bem que está a ser levada a cabo.

Só que agora, quase a meio do decorrer previsto da obra, vem o presidente da Câmara Municipal de Santarém dizer-nos com a maior das naturalidades que há necessidade de reforço estrutural das paredes e fundações do edifício, já que, no decorrer dos trabalhos, se verificou que este (que, recordo, foi construído nos anos 30 do século passado) não tem essas mesmas fundações.

E para fim de conversa tenta passar a ideia de que tudo isto é perfeitamente normal, que são coisas que acontecem. Diz tratar-se de uma “anomalia”, de uma situação “imprevisível” e “impossível de verificar” que, por isso, não constava no caderno de encargos da obra.

Diz que vai tentar arranjar comparticipação da União Europeia para pagar esses trabalhos a mais, mas que se não conseguir terá de ser o município a pagar a despesa na totalidade.

Como é possível falar-se assim??! Anomalia?! Imprevisível?! Impossível de verificar?! Ninguém sabe (nem os técnicos da Câmara, nem os da construtora, nem os da empresa que está contratada e a receber para fazer a fiscalização da obra) que esta situação é normalíssima num edifício desta época?! Ninguém sabe também na Câmara que o mesmo já aconteceu anteriormente noutras obras municipais?!

Só agora se viu?! E dizem que não se podia ter visto antes?! Não fizeram sondagens prévias em fase de projeto e/ou em orçamentação para o verificar?!

E também só agora é que foi detetado que as paredes divisórias das lojas são frágeis e que necessitam de ser reforçadas…

E com isto lá vão mais 369 000 € (com IVA incluído)… Mas a Câmara não pede responsabilidades a ninguém. Assume tudo como normal e arca com os custos… Isto é normal?!

Será que esta situação também não está e não ficará acautelada para próximas obras como, por exemplo, as previstas no PEDU? Pelo que disse o presidente de Câmara parece que não está mesmo…

Não tenho até aqui querido falar sobre o decorrer das obras no Mercado Municipal para não criticar trabalhos em curso. Mas em face desta situação e das declarações do senhor presidente da Câmara, sem qualquer sentido técnico, não posso deixar de chamar a atenção para algo que talvez a Câmara e a empresa construtora também não saibam ou tenham percebido tardiamente: as paredes com o topo desprotegido (sem telhado) em edifícios desta época não resistem à chuva continuada! As do Mercado estiveram nessas condições 2 ou 3 meses, incluído o período de temporal no final do ano passado, e agora finalmente foram atamancada e parcialmente tapadas com umas lonas velhas.

Dir-se-á que não faz mal, que se as paredes caírem facilmente se fazem outras e melhores. E os painéis de azulejos? Vão com elas? Para além do risco que estes correm já por as fracas proteções que tinham terem em parte ido com o temporal de dezembro, estão ainda sujeitos a este maior risco…

Incompetência e mais incompetência e… soma e segue…

E quem paga tudo isto, quem é?!

Francisco Mendes

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