Corte de despesas nas escolas do Politécnico de Santarém ameaça continuidade da direção

Em Educação

O Instituto Politécnico de Santarém quer reduzir as despesas em mais de um milhão de euros, mas as cinco escolas que o integram rejeitam o plano de ajustamento que, se for aprovado, pode levar à destituição da atual direção.

“Os diretores de todas as escolas e os professores que integram o Conselho Geral assinaram um documento conjunto em que se opõem ao plano, que vai ser analisado, e, se o mesmo for aprovado, exigem a destituição da atual direção”, disse hoje à agência Lusa o presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Santarém (IPS), Francisco Madelino.

Em causa está o Plano de Ajustamento Orçamental apresentado à tutela pela atual direção do Politécnico, presidida por José Mira Villas-Boas Potes, e que prevê “algumas medidas para aumentar as receitas, mas, sobretudo, um corte de mais de um milhão de euros na despesa”, explicou Francisco Madelino.

O problema é que “o corte implica uma redução na contratação e os diretores das escolas não concordam com essa medida, alegando que pode pôr em risco a normal atividade letiva”, afirmou.

“É importante que o meio académico seja capaz de assumir um contrato social, porque o Instituto tem obrigatoriamente de ter um plano de ajustamento”, acrescentou o presidente do Conselho Geral.

O plano, entregue à tutela no dia 31 de dezembro, era uma das medidas impostas pelo Grupo de Monitorização e Controlo Orçamental das Instituições de Ensino Superior Público, que em novembro de 2019 considerou o IPS “em situação de crise institucional grave”, juntamente com os politécnicos de Castelo Branco e Tomar, somando no conjunto dificuldades financeiras no valor global de 5,9 milhões de euros.

Porém, o documento está a ser contestado pelas cinco escolas superiores do IPS – Agrária, Desporto, Educação, Gestão e Saúde – que exigiram a convocação de uma assembleia, marcada para o próximo dia 27, e que tem apenas como pontos a discussão do plano e “a destituição da direção, se este [plano] for aprovado”, adiantou Francisco Madelino.

A Lusa tentou, sem sucesso, ouvir os diretores que se opõem plano, que remeteram para mais tarde esclarecimentos sobre a situação do IPS e as medidas de ajustamento propostas pela direção, eleita em 2018 para um mandato de quatro anos.

Também o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que tutela os politécnicos, foi questionado, mas a Lusa ainda não obteve resposta.

José Mira Potes, eleito com apenas um voto de diferença em relação ao candidato derrotado (11 contra 10), corre agora o risco de ver votada a sua saída da presidência da direção do Politécnico de Santarém.

Na quarta-feira, José Mira Potes foi questionado pela comunicação social, no final de apresentação do novo programa de apoio ao empreendedorismo do Politécnico, mas escusou clarificar a situação, afirmando: “Não sei se ainda sou o presidente do Instituto Politécnico de Santarém”.

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