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Vasco Pulido Valente (1941-2020)

Em Opinião

Há três semanas o Público não inseriu na edição de sábado a sempre por mim ansiada a crónica do notável articulista, arguto na análise, cortante na apreciação dos disparates perpetrados pelos detentores de uma partícula de poder, dos génios das bagatelas, dos hipócritas das públicas virtudes e vícios privados, dos pantomineiros envergando vestes talares de múltiplas cores e plumagens, que foi Vasco Pulido Valente, logo pensei o pior dada a sua vontade de há anos em não observar as prescrições médicas, salvo quando esteve internado. Morreu Vasco Pulido Valente!

Morreu o mais suspicaz analista político português, dono de enorme bagagem cultural, inimigo declarado da mediocridade, fortíssimo contra os fortes, condescendente relativamente aos pobres de espírito, pura e simplesmente nas antípodas dos balofos seguidores do Rei vai nu. Devo-lhe milhares de horas de prazer proporcionadas pela sua obra desde os artigos no Almanaque, no Tempo e o Modo, na imprensa a seguir ao 25 de Abril, nos livros de história, ensaio, e biografia, ainda no romance Glória.

Dizer-se que o País fica mais pobre é lugar comum e nivelador por baixo do magnifico doutor de Oxford, homem resoluto no quebrar as convenções fundamentalistas, as correntes cerceadoras da liberdade de pensar ao arrepio do código dos sem coluna vertebral, estilo Eusébio Macário do seu amado escritor Camilo Castelo Branco.

Junta-se aos seus amigos, a Fernando Lopes, a João Bénard da Costa, a José Cardoso Pires. E, este fim-de-semana irei render-lhe culto lendo o Almanaque.

Armando Fernandes

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